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A história de um imigrante artista baiano na Europa. Parte 01

Esta é a minha história e acho que devo compartilhar com vocês todas as aventuras vividas nesse espaço de 20 anos como imigrante brasileiro, baiano na Europa. Todas as aventuras, alegrias, desilusões, dificuldades, facilidades, descobertas e uma infinidade de coisas que ocorrem na vida de uma pessoa, que opta por abandonar o seu país, a sua família e ir tentar a sorte em um mundo completamente diferente em termos culturais, sociais e humano. As dúvidas que nos acompanha, um certo medo e insegurança e a incrível capacidade de ao nos encontrarmos em uma situação muito complicada, desenvolvermos capacidades que antes nos era desconhecidas, desenvolver um auto conhecimento, conhecemos a nós próprios, descobrimos capacidades em que jamais imaginávamos que possuíamos  o extinto e a tendência humana de sobrevivência que nos leva a encontrar sempre uma saída para tudo, mesmo quando parece não haver.

Espero que gostem de tudo que vão ler e que essa historia venha incentivar muitos os jovens…

 

Coliseu romano. Itália. Roma
Coliseu romano. Itália. Roma
Itália. Roma. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Itália. Roma. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Coliseu Romano. Itália

a tomarem uma decisão nas suas vidas, decisão essa que julgo indispensável a evolução de um cidadão seja em termos humanos, social e financeiro. Acredito se todos tomassem uma decisão como essa, teríamos um mundo bem melhor e equilibrado pelo fato de experiências assim, ajudar a pessoa e ver o mundo de uma forma mais responsável e amadurecida. Quando presenciamos culturas como a alemã em que algumas famílias ao filho completar a sua maioridade, abrem a porta de casa e dizem, ” já fizemos tudo que devíamos, te damos educação, conhecimento e capacidades de sobrevivência, agora vá viver a sua vida”. Na nossa mentalidade latina e carregada de emotividade, consideramos um ato desumano e frio, quando no fundo analisando de forma mais pragmática e realista, concluímos que é a melhor coisa a fazer para que o jovem futuramente possa ter uma vida responsável e amadurecida, e possa ser um ser humano com boas qualidades e capacidades para enfrentar as adversidades que surgem na vida.

Quando analisamos o caso de forma contrária e presenciamos jovens e até mesmo homens entre 30 a 40 anos vivendo na casa dos pais, com uma vida totalmente sem objetivos, numa dependência total que acaba por levar muitos jovens a entrar no mundo das drogas, dos vícios, da violência e de uma series de comportamento que desvirtuam o ser humano, levando-o a um caminho sem retorno e cheios de problemas. A necessidade extintiva dos pais em proteger e dar tudo o que o filho necessita com a pura sensação de que está fazendo a coisa de forma correta, dando amor, atenção, alimentado os seus caprichos, levam depois a interrogarem-se de o que fizeram de errado, quando encontram o filho perdido na vida, envolvido com drogas e violências. Todo esse excesso de proteção impede que o jovem vá buscar dentro de si as suas reais capacidades, impede que possam conhecer a si próprio e manter a mente ocupada com as suas necessidades instintivas de crescimento e evolução como ser humano. Situações como essa nos faz pensar quanto a eficiência social dessas formas de educar de determinadas culturas.

 

Itália. Veneza. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Itália. Veneza. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Veneza. Itália. A historia de um imigrante baiano na Europa

Sou um simples brasileiro que residia em Salvador, Bahia, e desde a minha época de ginásio sonhava em sair pelo mundo, me aventurar, conhecer novos povos, costumes, gastronomia. Quando assistia os filmes americanos ficava maravilhado com as paisagens, com a forma civilizada e qualidade de vida típica dos povos considerados 1º mundo. Único filho homem com 3 irmãs, 2 mais velhas do que eu e uma mais nova. O meu pai era aposentado da Petrobrás  tínhamos uma vida simples sem muitos luxos, mais nada nos faltava, era aquela típica família de classe media brasileira, com casa própria, uma vida equilibrada e todos os filhos estudando e concluído o 2º grau. As minhas duas irmãs mais velhas ainda tentaram entrar para a faculdade mais começaram a trabalhar, e o salário suficiente para os pequenos luxos, acabou sendo responsável pelo total desinteresse em seguir uma carreira profissional, ou seja, estudar bastante e depois acabar atrás de um balcão de uma loja, como é muito comum no Brasil.

 

Terminei o 2º grau muito cedo, aos 18 anos já estava mim formando em um curso técnico de administração de empresa, acho que esse curso só foi para completar o 2º grau, porque nunca tive nenhuma vocação para essa profissão, em termos de conhecimentos e capacidade para administrar alguma coisa, eu mal conseguia administrar o pouco que ganhava. Bem, na realidade acho que estou sendo um pouco exigente de mais, porque graça a esse curso, acredito que influenciou um pouco a minha performance em termo das exposições de arte que passei a realizar.

Fui sempre um apaixonado pelas arte, Passei toda a minha infância revelando a minha ligação para com a arte, a minha paixão e a enorme necessidade de aprender, levava-me a constantes manifestações artísticas desde fazer desenhos nos cadernos e livros escolares menos indicados para os temas, como desenhar em paredes, chão, portas e onde a inspiração mim levasse.

 

Itália. Veneza. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Itália. Veneza. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

A arte e tendências artísticas são curiosas e viciantes pelo fato de nos acompanhar sempre no nosso dia a dia, mesmo nas mais pequenas coisas, ela está sempre presente. Uma pessoa que carrega estas tendências ou vícios é incapaz de ter em sua frente um lápis, uma caneta, um giz ou até mesmo uma pedra, sem cair na tentação de procurar esboçar alguma coisa. É algo que corre no sangue que anima o espírito que acalma a alma. Há muitas pessoas com essas capacidades, digamos assim, essas necessidades, que no decorrer das suas vidas acabam por ingressar em uma profissão que não está minimamente ligada as artes, por força do destino e necessidade de sobrevivência, leva as mesmas a acreditar que a arte não possibilita uma vida equilibrada em termos financeiros, não é segura e sujeita a riquezas materiais.

Quando passei a dominar a técnica da pintura a óleo, ou seja, passei a fazer um trabalho mais comercial, procurei a administração de um grande shopping em Salvador e solicitei um espaço para expor os meus trabalhos. Não foi difícil, consegui um excelente espaço que era destinado as manifestações artísticas, espaço esse que aproveitei bem. O resultado foram alguma vendas que impulsionaram-me a continuar. Depois comprei um carrinho usado uma prancha de surf e levava uma vidinha típica de filhinho da mamãe que só queria praias e namoradas.

 

Holanda. A história de um imigrante baiano na Europa
Holanda. A história de um imigrante baiano na Europa

Entrei também na área do mergulho submarino comprei um equipamento de mergulho, devorei varias revistas do Jacques Cousteau, para quem se não se recorda ,era um francês que dedicou toda a sua vida aos mares. Portanto uma vidinha que não podia durar muito, sabia que mais cedo ou mais tarde, ia acabar por conhecer uma garota da qual iria mim pôr uma aliança no dedo e declarar a minha escravatura para o resto da minha vida, porque todos nos sabemos que a partir dai, eu iria entrar em um sistema que não teria mais retorno, filhos, contas, dividas, responsabilidades e uma vidinha caída para o medíocre, desculpem a minha filosofia se não se encaixa bem com a de vocês, mais acredito que viajar, conhecer o mundo, passar por experiências diferentes todos os dias, conhecer mulheres de todo o mundo, é bem melhor do que esta vivendo uma vida da qual se resume em viver para trabalhar e não trabalhar para viver, portanto acho que fiz a escolha perfeita, ou melhor, não tenho a menor dúvida disto, embora tenha deixado no Brasil alguns amigos, muito poucos que optaram por constituir uma família e estão muito felizes agora, digo eu!

 

Lisboa. A história de um imigrante baiano na Europa
Lisboa. A história de um imigrante baiano na Europa

Quando penso que se não tivesse saído do Brasil naquela altura, como seria eu hoje? Certeza que não teria a metade da experiência de vida e não teria sido tão feliz, e quanto ao nível de intelecto, certeza que não teria o nível que acho que tenho. Pode ser presunção da minha parte, mais quando chego ao Brasil, confesso não conseguir mim encaixar muito bem a maneira de ser e pensar de alguns amigos, fico com a impressão que eles pararam no tempo, chegaram a um ponto que não havia mais necessidade de evoluir, e a forma de vida que levavam também não o incentivava muito. Ou seja, a rotina e a falta de objetivos.

Em um país conhecido internacionalmente como subdesenvolvido, em que o povo luta dia a dia para sobreviver e ter o mínimo de qualidade de vida, faz um cidadão pensar no que seria a vida em outro país, em um país considerado primeiro mundo. Terminado o meu 2º grau como todo jovem brasileiro, busco entrar para faculdade. Visando como sempre o sucesso financeiro, a maioria procura a área profissional que prometa dinheiro e sucesso, área profissional da qual damos grande atenção a sua facilidade de arrumar emprego e vir a se tornar um profissional realizado.

 

Portugal. Serra da estrela. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Portugal. Serra da estrela. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

 

Rua Augusta, Lisboa. A história de um artista baiano na Europa.
Rua Augusta, Lisboa. A história de um artista baiano na Europa.

Tudo isso, uma grande ilusão que geralmente se revela, quando se consegue esse objetivo, transformando.se em uma vida cheia de obrigações pressões, stress e muito cansaço físico. Eu como um brasileiro sonhador, buscava um outro tipo de realização, uma realização não só profissional, como também a nível social. Conhecer outros povos, outras culturas e viajar bastante, acreditava fielmente nessa possibilidade.

Com uma grande paixão pela arte, tornavas se bem claro que no Brasil não iria conseguir grandes realizações, não falo em ficar famoso em ter muito dinheiro, não de forma nenhuma, o meu objetivo era poder viver da arte. Aos 17 anos procurei aprender a pintar óleo sobre tela, já possuía uma boa técnica de desenho e aliado a pintura a óleo tinha certeza que obteria bons resultados. Bem quanto ao vestibular a tentativa de entrar para a faculdade não foi muito boa. Dias depois da prova do vestibular sou acordado de manhã cedo pela a minha irmã mais velha, toda feliz com um jornal nas mão, dizendo que eu tinha sido aprovado no e embora bastante sonolento disse para ela mim deixar dormir e não mim incomodar, porque eu tinha certeza que não era possível. Mais depois de muita insistência, E sentir o jornal encostado no meu rosto, cheguei a conclusão que seria melhor acordar e verificar a autenticidade das suas palavras. Fiquei completamente pasmo, pelo fato de ter consciência da péssima prova que havia feito de matemática, mais afinal lá estava o meu nome.

 

Portugal. Serra da estrela. A históori de um imigrante brasileiro na Europa.

Portugal. Serra da estrela. A históori de um imigrante brasileiro na Europa.

É desnecessário dizer que como um bom baiano, fiz uma festa enorme junto com outros colegas que foram aprovado. Haviam amigos meus que rasparam a cabeça para pagar promessas, sem contar aqueles que foram a Igreja de senhor do Bonfim agradecer aos santos. Como disse antes, estamos no Brasil, e passado alguns dias a Universidade federal da Bahia informa, que ocorreu um erro na elaboração da lista de aprovador, bem acho que vocês já viram o resultado final disto. Todos aquelas amigos que foram aprovados inclusive eu, não saímos na lista, ou seja todos reprovados.

 

Paris. Eiffel. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Paris. Eiffel. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Depois dessa desagradável situação perdi mais ainda a credibilidade no meu país. Voltando a parte do meu interesse em aprender a pintar a óleo sobre tela fui a frente com esse objectivo nessa altura como sempre o Brasil estava com sérios problema económicos, mais mesmo assim eu conseguia realizar exposições de arte em varias partes. Na altura era muito fácil conseguir autorização para expor nos Shopping Center. Naquele tempo os Shopping facilitavam bastante permitindo que ocupássemos um espaço do qual geralmente era atribuído as manifestações artísticas, já que havia uma lei qualquer criada pelo governo que facilitava a vida das empresas que patrocinavam as manifestações artística, e eu mim aproveitava bem disto.

 

Ao todo cheguei a fazer uma media de 25 exposições s de arte individuais e participado de algumas colectivas, fui premiado em alguns salões de arte e tive por incrível que pareça a possibilidade de possuir um carro uma moto e um excelente aparelho de som que na altura era produzida pela Gradiente. Oh melhor, recordo-me que esse aparelho foi um negocio que fiz com um amante das artes que adorou o meu trabalho e possuía um bar muito agradável em salvador chamado versos e prosas. Ele queria praticamente todos as minhas pinturas e mim ofereceu o aparelho de som como parte do pagamento. Ok agora vocês imaginem, um jovem com apenas 22 anos após ter conseguido demonstrar a mim mesmo que conseguia sobreviver do meu trabalho no Brasil um pais com sérios problemas de desemprego, como seria em um país de 1º mundo, com uma taxa de desemprego baixíssima  Recordo-me ao assistir os filmes americanos observava a vida o estilo daquelas pessoas embora sabendo que por trás daquelas imagens havia muita fantasia, mais tinha certeza de que se fosse ruim, de forma nenhuma seria pior que o Brasil, portanto a hipótese de eu conseguir triunfar, ou seja viver da arte seria muito maior.

 

Paris. Champs-Élysées. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Paris. Champs-Élysées. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Imaginava passeando pelas aquela  rua magnificas, aquelas roupas típicas de países frios, os casacos de couro que eu achava fantástico, agora imaginem vivendo em Salvador com a temperatura que faz usar um casaco daqueles, impossível. Ou seja viver no estrangeiro era o sonho de todos os jovens naquela altura. Estava ocorrendo uma grande saída de pessoas para o estrangeiro, todos em busca de um sonho.

Agora voltando a minha situação, jovem com algum equilíbrio financeiro, ou seja uma moto um carro e um aparelho de som, era muito para um brasileiro naquela altura conseguir tudo isso trabalhando no ramo das artes no Brasil, portanto essas facilidades mim levavam a acreditar que se imigrasse para um pais estrangeiro teria fortes possibilidades de triunfar. Tenho consciência de que se não tivesse saído do Brasil e até hoje vivesse lá, de forma nenhuma ira ter a cabeça que tenho hoje, a vida de um imigrante no estrangeiro, a luta para sobreviver em um pais que não é o seu, faz com que a pessoa amadureça em 1 ano o equivalente a 10 anos no Brasil na casa da mamãe. Ela não gostava da ideia de mim ouvir falar de ir morar fora do Brasil. mais eu estava sempre alertando-a quanto a essa possibilidade, o meu pai não acreditava que eu fosse capaz. achava que eu era mimado demais para conseguir enfrentar a vida sozinho longe do meu país e longe da proteção familiar. É curioso quando temos algo em mente que acreditamos, parece que a natureza conspira para que isso venha a se realizar e foi o que aconteceu comigo.

 

Conheci uma garota que era bem mais velha do que eu, muito determinada, que falava o tempo todo em realizar o sonho de ir viver nos estados unidos, na altura eu tinha 21 anos e ela 32, pelo menos foi o que mim disse. Era muito inteligente e nos conhecemos em uma exposição de arte que eu estava participando no Museu de Arte da Bahia em Salvador no Largo da Vitoria, já não mim. Como disse a natureza parece que conspira colocando aquela garota na minha vida. Começamos a sonhar juntos em ir para os Estados Unidos. Ela começou a trabalhar comigo nas exposições, ensinei tudo que sabia em termo de organizar exposições, de encontrar um espaço, conseguir patrocinadores para as vernissages, preparar os convites, e tudo mais. Mais como vocês devem imaginar, as relações nessas idades não costumam durar muito, como era muito comum nas minhas relações anteriores, mais devo confessar que com ela durou muito mais do que era comum, acho que devido a sua cabeça o amadurecimento veio contribuir para isso.

 

Alemanha. Stuttigard.  A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Alemanha. Stuttigard. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

 

Com o final do relacionamento como é muito comum o resultado não é muito agradável e com uma certa carga de decepção, ela mim fez intender que eu seria sempre o filhinho mimado da mamãe e que nunca seria capaz de deixar a minha família e ir morar no estrangeiro. Confesso que isso contribuiu de forma pesada, e decisiva na minha atitude porque sabia que em parte ela estava certa, eu vivia com os meus pais e levava uma vida com uma certa dependência, embora ganhasse o meu dinheiro com os meus trabalhos. Como disse antes eu já carregava essa necessidade de deixar o Brasil e só bastou a natureza provocar-me com essa situação e eu imediatamente mim pus a prova.

 

Fiquei um bom tempo sem ter noticias da dela, até que um dia recebi um cartão postal de Washington Estado unidos, finalmente ela tinha realizado o seu sonho e estava morando nos States.

 

Eu fiquei feliz por ela ter conseguido o que tanto sonhava e sabia que eu também teria que lutar para conseguir o mesmo, caso contrário, iria acabar passando toda a minha vida no Brasil.

 

Madri. A história de um imigrante baiano na Europa
Madri. A história de um imigrante baiano na Europa

Passado pouco tempo vendi tudo que tinha, a moto, o carro, e o meu aparelho de som Gradiente que tanto gostava. Esqueci de dizer também que possuía um equipamento de mergulho que mim rendeu algum dinheiro,. Atenção quando me refiro a moto, carro, vocês devem imaginar que se tratava de verdadeiras maquinas, mais não era bem o caso, tratava se de um carro velho e a moto razoavelmente nova. Portanto não pensem que fiz uma fortuna que iria me dar segurança e facilidades ao chegar no estrangeiro, não foi bem assim.

O dinheiro que eu possuía permitia comprar a passagem ida e volta e sobravam mais mil dólares para eu sobreviver, como a passagem era ida e volta, eu tinha a segurança de que se a coisa ficasse preta, eu apanharia o primeiro voou de volta. A passagem tinha 2 meses de validade para retorna ao Brasil.

Então tirei o passaporte e enviei par o Rio de Janeiro, já que em Salvador não havia consulado americano e o visto tinha que ser pedido no consulado do Rio. passado algum tempo recebo o passaporte com o visto negado. Era muito difícil entrar nos Estados unidos naquela época, como acredito que ainda hoje seja difícil para um jovem brasileiro. Quando se tratava de um jovem, eles sabiam que a possibilidade desse jovem se tornar um imigrante ilegal era grande, pelo fato de ser novo e ter garra para trabalhar e viver nos Estados Unido. Para um jovem conseguir o visto tinha que provar ao consulado americano que havia razões de sobra para retornar ao Brasil, ou seja, era necessário ter um bom emprego e uma vida profissionalmente equilibrada. Bem, com relação ao bom emprego, embora para mim fosse, mais para eles não, eu tinha tudo para ser um imigrante ilegal, na altura não revelei que era artista plástico, se o tivesse feito teria piorado mais ainda a situação.

 

Madrid. A história de um imigrante baiano na Europa
Madrid. A história de um imigrante baiano na Europa

O visto que o consulado dava era apenas turístico, ou seja, todo turista volta sempre ao seu país e provavelmente isso não aconteceria comigo. Visto de trabalho era completamente impossível. Resultado, fiquei com um passaporte com visto negado, e tive que reformular o meu projeto.

 

Não pensem que desanimei, decidi mudar de planos e apontei para Europa. Eu tinha um grande mapa, um atlas, que mantinha no meu guarda roupa, tinha sempre o habito de apanha-lo abria-lo em cima da mesa e ficava visitando o mundo através dele, acho que deve haver muita gente com esse hábito, ou melhor, havia, porque hoje em dia com a Internet já é possível fazer isso com muito mais realismo,. Naquela altura não havia Internet e nem os computadores eram tão acessíveis como são hoje., era tudo mais complicado, mais mesmo assim foi curtido, ficava horas olhando aquele mapa e criando trajetos de viagem.

 

Lisboa. A história de um imigrante baiano a Europa.
Lisboa. A história de um imigrante baiano a Europa.

Pois é, a Europa passou a ser o meu destino. Mais havia um problema do qual me fazia pensar um pouco, que era a língua. Tinha alguma noção do inglês, muito pouco, mais era capaz de formar algumas frases que aprendi devido a um curso de inglês que fiz através de uma colecção de livros e fitas cassete que adquiri na altura. Cheguei a uma conclusão muito mais simples, escolhi Portugal para ser o meu país de destino, por se tratar de um país que fala o mesmo idioma, e sabia que depois de mim adaptar aos hábitos de um pais europeu, ficaria bem mais fácil viajar para o resto da Europa, e Portugal serviria de porta de entrada para os outros países.

 

Próximo a minha casa havia e há um grande Shopping Center, e eu passei a ir la quase todos os dias´visitar uma livraria que possibilitava ler-mos os livro confortavelmente sem ser necessário compra-los, como já é muito comum hoje em dia, Tinha uma sala grande, com cadeiras e sofás, e eu passava horas lá estudando e mim informando de tudo relativo a Portugal e Europa. Ficava fascinado com a França, Paris era um local de sonho, já que representava o berço das arte mundiais, e eu acreditava que conseguiria sobreviver lá sem problemas. Uma coisa tenho que afirmar, eu era muito ingénuo, quando escolhi ir para Portugal, os seja, para Europa escolhi o pior período do ano, finais de Fevereiro uma altura do ano em que a temperatura costuma ser muito baixa. Não mim passou pela cabeça que o inverno Europeu nessa altura fosse tão rigoroso. mais para um baianinho criado em beira de praia, que nunca soube o que era frio, viajar para um país justamente nesse período, mim fez descobrir que o inferno afinal era frio.

Bem, finalmente chegou o dia em que comprei a passagem, era para Lisboa, foi pela companhia air América, curioso o continente que eu pretendia conhecer no inicio e que mim foi negado o visto.

Os amigos mim perguntavam, e ai, o que você vai fazer quando chegar la? qual é o seu plano? Eu praticamente não tinha plano nenhum, e evitava pensar muito nestas coisas, acreditava que se começasse a mim interrogar, ia ser pior, porque acabaria por realizar uma a viagem sobre uma pressão maior, então a melhor maneira era não pensar. Não é que houvesse a hipótese de desistir, não, de jeito nenhum, eu estava mesmo decidido, era algo no meu intimo, mim impulsionava, algo profundo, uma voz que dizia vai, não pense, mesmo tendo em volta toda a pressão e dúvidas de quem vai para um mundo totalmente desconhecido, com hábitos totalmente diferentes, eu encarnava um personagem meio suicida, disposto a encarar o que aparecesse, e acreditem apareceu muita coisa. A noite quando eu ia dormir e já tinha a passagem comigo, passava um bom tempo olhando para ela e sabendo que os dias estavam passando e em breve eu teria que usa-la, era fantástico, depois de estar na cama, e quando começava a aparecer as perguntas em minha mente, eu simplesmente evitava pensar.

 

Stuttigart, Alemnha. A história de um imigrante baiano na Europa
Stuttigart, Alemnha. A história de um imigrante baiano na Europa

Uma coisa eu tinha certeza, era o meu único plano, imaginava ao chegar em Lisboa só depois de esta no aeroporto é que iria mim entregar aos pensamento e deixar o extinto me conduzir.

 

Acho que uma pessoa para se enfiar numa aventura dessa, tem que ter um enorme senso de aventura, eu simplesmente não tinha ninguém que esperasse por mim em Lisboa, nem se quer no Brasil não havia nenhum amigo que pudesse mim dar uma força para que eu enfrentasse essa hipotética loucura com mais tranquilidade, muito pelo contrário, o que eles diziam era, você tá louco cara! você vai morrer lá longe da sua família! Engraçado que isso ao invés de mim assustar, até dava mais adrenalina, eu acho que eu era mesmo doido, hoje quando mim imagino naquela situação, sem conhecimento nenhum, um garoto que sempre viveu sobre a proteção dos pais, não sabia fazer nada, nunca tinha lavado uma roupa, nunca tinha feito nem se quer um café, não sabia se quer dobrar uma roupa, e estava mim atirando em um mundo totalmente desconhecido do qual iria mim exigir muita coisa que eu não sabia, e olha que exigiu! Foi de doido.

 

Finalmente chegou o dia da viagem, era um mês de Fevereiro, ou seja estava a minha espera um frio de lascar em Portugal, e eu nem fazia ideia do que mim esperava, acho que naquela altura eu acreditava que depois de Dezembro e Janeiro o tempo não seria assim tão frio, já que costumava ler nas revistas e nos livros do shopping, que Portugal não era um país com temperaturas muito baixas no inverno, em relação ao resto da Europa, mais para um baiano era muito frio.

 

Ponte 25 de Abril. Lisboa. A vida de um imigrante baiano na Europa
Ponte 25 de Abril. Lisboa. A vida de um imigrante baiano na Europa

A minha mãe ficou muito triste com a minha viagem, não queria que eu fosse, evidente uma mãe nunca que o seu único filho homem tão longe de casa, mais ela admirava a minha coragem e dava-me força mesmo sofrendo com a minha ausência. O curioso é que as pessoas geralmente quando se sentem só, entram em estado melancólico, em estado de auto comiseração que só serve para piorar mais ainda a situação, considerando-se uma pessoa infeliz e magoada pela vida. Eu não, era o contrário, ao deixar o Brasil e entrar naquele avião, realmente me sentia só, sabia que dependia de mim mesmo, iria atravessar o atlântico pela primeira vez, iria está longe da minha família pela 1ª vez, e sabia que se acontecesse algo de mal, a hipótese de socorro por parte da família seria impossível pelo fato de mim encontrar do outro lado do mundo, não é o mesmo que está numa cidade qualquer do Brasil, portanto essa situação toda imposta a minha pessoa, ao invés de me enfraquecer, funcionava de forma contrária, mim sentia como um filhote de leão que passa o tempo necessário ao lado da sua mãe, que lhe dar toda proteção, mais ao mesmo tempo o ensina a caçar para sobreviver e finalmente chega o dia em que ele tem que seguir a sua vida enfrentado todas as adversidades sozinho. Eu estava disposto, disse para mim mesmo, é para ser assim, assim será, ou você vence essa batalha ou volta para o Brasil de cabeça baixa. Mas não ia ser assim tão fácil acontecer. Justamente na altura que estava para deixar o Brasil, a televisão noticiava actos de violência contra imigrantes turcos na Alemanha e que levou a morte de uma das vitimas. Vocês imaginem para um garoto de 22 anos que nunca soube o que era discriminação, nunca presenciou situação semelhante, estava indo para um continente em que atos dessa natureza eram comuns. No Brasil a discriminação é mais social do que racial, mais na Europa é diferente, quando se trata de xenofobismo, eles são imbatíveis, há de tudo, coisas positivas e coisa negativas, e quando são negativas ao ponto extremo, assusta qualquer pessoa que nunca presenciou cenas dessa natureza. Lisboa tô chegando.

Atenção! Ainda não acabou tem muito mais…