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Coimbra cidade dos doutores. Parte 14

Coimbra, Portugal. A vida de um imigrante brasileiro na Europa.

Coimbra, Portugal. A vida de um imigrante brasileiro na Europa.



Coimbra

 

Pela manhã ao acordar resolvi sai para tomar o café da manhã e conhecer a cidade dos doutores a qual na minha época de estudante já tinha ouvido falar.

È uma cidade muito bonita, com as suas ruas estreitas, pátios, escadinhas,  arcos medievais e as suas famosas Universidades, é banhada pelo rio Mondego do qual nos fins de semana podemos depois de nos associarmos ao clube local, alugar uma canoa e navegar pelo rio contemplando a beleza da cidade.

Podemos passear também no famoso barco que veio de França construído exclusivamente para navegar nas águas do Mondego o famoso bazófia.

 

Depois de passar pela a rua principal a Ferreira Borges onde se concentra uma grande quantidade de bancos, lojas e esplanadas deduzi que seria um bom lugar para procurar ganhar algum dinheiro antes de voltar para Lisboa. Havia uma grande esplanada de um café e resolvi nesse dia trazer o meu material e expor enfrente a mesma.

 

Fui a pensão apanhei o meu cavalete e retratos já realizados de figuras celebres do cinema americano para expor e usar como mostras para as pessoas poderem avaliar a qualidade do trabalho como fiz na Ilha do Açores. Coloquei os quadros e passado pouco tempo começou a parar pessoas e fazerem perguntas quanto ao preço dos retratos. O resultado foi que nesse dia acabei recebendo varias encomendas e cheguei a conclusão que ficaria mais algum tempo até cansar da cidade.

 

Estava gostando do ambiente, era semelhante a Braga, uma cidade calma e sem muita agitação, a cerca de 40 quilómetros havia uma cidade praiana chamada Figueira da Foz da qual eu estava pronto para visita-la no fim de semana depois que preparasse as encomendas que mim foram feitas. O detalhe é que a medida que ia fazendo ia entrando mais até que acabei de chegar a conclusão que iria ficar mais tempo.

 

Um dia estava trabalhando quando se aproximou uma garota querendo saber o preço dos retratos o nome dela era Paula, uma menina bonita, educada e bem sorridente, fiquei encantado com a maneira simples e alegre daquela menina e de imediato procurei criar um ambiente mais aberto e amigo. Ela queria fazer o retratos do namorado e eu sugeri que trouxesse a fotografia dele e eu teria o prazer de faze-la, embora o prazer seria bem maior se fosse o retrato dela, já que era uma menina muito bonita e para mim seria mais prazeroso desenhar. Ela sorriu da minha maneira de ser e se despediu ficando de no outro dia trazer a fotografia. Passado um tempo apareceu com a foto e eu de imediato deixei claro  que estava curioso que ela aparecesse, mais não pela foto e sim para pode ve-la novamente. Bem, não vou aqui começar a descrever de maneira minuciosa todo o ritual que mais tarde nos levou a ficar juntos, seria desnecessário, mais o importante é que embora ela tivesse um namorado, as coisas não andavam muito bem e ela não  estava nada satisfeita com o relacionamento, era um namoro longo e antigo que já tinha se transformado mais em uma rotina, um hábito, do que um sentimento mais profundo, o que passado um tempo acabaram por se separarem e foi a partir dai que começamos a namorar.

 

Ela tinha uma mentalidade bem madura para a idade e gostava muito de se divertir e a minha maneira típica de um brasileiro alegre e brincalhão fazia com que tivéssemos muito em comum. Começamos o nosso namoro sem problemas nem empecilhos até que um dia a família dela ficou sabendo do nosso relacionamento e pelo visto entrou em um verdadeiro desespero  e declarou estado de guerra contra a minha pessoa. O rapaz que ela namorava antes era um estudante universitário, estava terminando o curso e seria um futuro engenheiro, o que era para a família da Paula o casamento ideal,  não um imigrante brasileiro artista que fazia retratos na rua. Ou seja, aquela velha historia que eu já havia passado por diversas vezes resultado da ignorância e discriminação que assola essa sociedade tão atrasada e desprovida de inteligência.

 

Só que com essa menina eu não estava disposto a fazer como as anteriores que no final depois de algum tempo de namoro  sobre a pressão dos país, acabávamos por nos separar e eu saia pelo mundo nas minhas aventuras e nunca mais aparecia.   Eu gostava dela e não estava disposto a permitir que uma sociedade atrasada e desprovida de educação fosse  afectar a felicidade dela e a minha tentando estabelecer para ela com quem deveria se relacionar e casar, ou seja, querer mandar na vida dela.

Um dia ligo para casa dela, tínhamos combinado jantar-mos fora e uma voz atende o telefone, voz essa que era idêntica a da Paula. Então perguntei a que horas poderia passar para apanha-la. Foi incrível, em toda minha vida nunca tinha ouvido tanto desaforo, tantas palavras grossas e vulgares saído da boca de uma pessoa dirigidas a mim, e ainda mais se tratando de uma senhora que pela idade que possuía já tinha por obrigação ter aprendido alguma coisa na vida, não ela simplesmente se comportava como uma pessoa desprovida de educação.

Eu fiquei tão impressionado que não consegui dizer nada e nem ela permitiria se fosse o caso, porque nem se quer respirava para falar, ou melhor, para dizer asneiras. Mim chamou de tantos nomes vulgares, palavrões e expressões simplesmente tristes para uma pessoa daquela idade. Simplesmente pedi licença e desliguei o telefone. Fiquei completamente chocado com tantas grosserias.

Mais não ficou só pela mãe, o pai também demonstrou que educação e boas maneiras passaram longe da vida deles e começou uma verdadeira caça ao homem, ou melhor, ao brasileiro. A falta de inteligência e coragem dele era tanta, que durante todo este triste episódio nunca teve coragem de parar em minha frente e conversar comigo, e procurar saber se esse rapaz afinal possuía ou não qualidades para estar com a filha dele, não, ele simplesmente utilizava os conhecimentos que possuía com a policia para tentar mim arrumar problemas.

Colocou os amigos policiais para investigar a minha vida, e tentou por esse meio correr comigo da rua para que eu não pudesse trabalhar e tivesse que ir embora da cidade. È mais do que lógico que se eu fosse um empregado em algum estabelecimento em Coimbra sem sombras de dúvidas seria demitido devido a influencia deles, mais como se pode afectar uma pessoa autónoma como eu? Tentaram de todas as maneiras.

Mais a minha sorte era que os policias depois de averiguarem a minha vida e chegarem a conclusão que eu era um rapaz honesto e trabalhador, e não mim envolvia com drogas e nem problemas, deduziram que a atitude daquele senhor era desnecessária e não procedia.

Deixando de lado a perseguição que mim faziam e alguns deles até ficaram meus amigos. Era um comportamento completamente lamentável e triste por parte daquela família.

Alguns defensores poderiam alegar que atitudes dessas por parte da família era derivado ao amor e preocupação para o sua filha, e que justificaria esse tipo de comportamento. Esse tipo de argumento só serve para provar de forma mais clara e evidente a falta de inteligência que acabei de citar anteriormente, porque pessoas inteligente não agiriam dessa forma, pelo fato de ser a forma mais estúpida e ineficaz que só irá criará uma união de forças por parte do casal oprimido para enfrentar a pressão da família e consequentemente criará  atitudes precipitadas como na maioria das vezes. Mais evidentemente tratasse de um nível de raciocínio muito elevado para eles.

Um dia ela chegou na pensão em que eu morava e tinha acabado de ser espancada pelos pais e a partir dai não permiti mais que ela passasse por uma situação como essa mesmo porque era perigoso nunca se sabe  o que pode surgir na cabeça de pessoas com esse nível de raciocínio.

 

Coimbra, Portugal. A vida de um imigrante brasileiro na Europa.

Coimbra, Portugal. A vida de um imigrante brasileiro na Europa.

A partir desse momentos passamos a morar juntos sobre constantes ataques da família e perseguições. Ela era assistente social e trabalhava em um lar de idosos em Coimbra. Os pais utilizaram dos conhecimentos que possuíam para que lhe tirassem o emprego, e foi o que acabou por acontecer, mais uma prova de ignorância extrema.

Nesse meio tempo ela tentava arrumar outro trabalho mais não era fácil quando tinha por trás uma família daquela com muitos amigos em Coimbra e que alguns demonstravam o mesmo nível de atraso quando apoiavam eles nesse sentido. A prova de ignorância era tão grande que a mãe chegou a gastar uma fortuna contratando o que chamam em Portugal de “Bruxos”, ou seja, charlatães que tiram dinheiro de gente com pouco nível de instrução alegando que através de feitiços irá separar o casal.

Diante de uma situação como essa não restou outra alternativa a não ser deixarmos Coimbra. Ela conseguiu um emprego em um infantário exercendo a sua profissão de assistente social em uma cidade no norte de Portugal e foi onde passamos a morar. Passado um longo tempo eles descobriram onde ela estava trabalhando e deu novamente inicio as tentativas de nos criar o máximo de problemas.

A Paula conheceu uma garota que era repórter e se interessou no assunto e resolveu fazer uma matéria e por no jornal, e foi o que acabou por acontecer. Foi praticamente mais da metade de um a folha no principal jornal da cidade contando a historia que mais parecia o Romeu e Julieta dos tempos modernos, só a partir desse momento que tornamos público esse comportamento infeliz por parte da família dela é que as coisas mudaram e deixaram de nos criar problemas porque toda a cidade ficou sabendo.

Moramos algum tempo no Norte de Portugal até que resolvemos voltar a Coimbra, ela gostava de Coimbra e sentia saudades dos amigos e achávamos que já não iria haver mais problemas. As coisas correram bem durante um certo tempo até que um dia resolvi ir ao Brasil visitar a minha família e ela ficou sozinha, tinha arrumado um trabalho em um super mercado e as coisas estavam equilibradas e eu pretendia ficar bem pouco tempo no Brasil em visita a minha família, só que uma semana antes ligo para a agência de viagem para confirmar o meu retorno para Portugal e fui informado que a passagem de retorno tinha sido cancelada, mais uma tentativas dos espertinhos.     A Paula depois de contactar a empresa em Portugal e esclarecer que só o próprio passageiro é que pode cancelar uma passagem e ninguém mais possui esse direito a não ser através da autorização do mesmo. Só a partir desse momento é que a empresa procurou retificar a situação e acabei por retornar a Portugal para infelicidade dos pais dela.

Vivemos uns bons anos juntos, alugamos um bom apartamento bem próximo ao centro de Coimbra e tivemos a oportunidade de convivemos em paz e sermos felizes.

Passado cerca de  quatro anos vivendo juntos as adversidades típicas na vida de um casal nos levou a separação. Foi um período muito bonito embora os problemas que a família nos ofertou no inicio, mais tivemos ótimos momentos juntos.

Espero que a família dela tenha aprendido que cada pessoa tem o direito e liberdade de escolher o seu caminho, deve ter orientação da família evidentemente para não sofrer na vida nem cometer erros, mais não devem interferir e ainda mais de forma ditatorial e perversa na vida dos seus filhos, porque se eles não foram felizes nas suas escolhas não que dizer que devam tentar viver a vida dos seus filhos.

Hoje em dia eu e a Paula somos grandes amigos, coisa que na maioria dos fins de relações não costuma ser possível, mais entre nós sempre ouve um grande respeito e admiração, quanto a família não pensem que aprenderam porque continuam tentando governar a vida dela, mais pelo menos ela aprendeu a ser independente e se defender melhor desses tipos de atitudes coisa que na altura que a conheci  não tinha qualquer capacidade psicológica para lidar com uma situação como essa. As vezes não é o mundo a ensinar através das suas maldades e friezas a sermos fortes, as vezes este papel fica a cargo da nossa a própria  família, é uma enorme pena vivermos em um mundo assim, mais infelizmente é esse que temos e devemos aprender.

 

Depois desse período de conveniência com a Paula mudei muito a minha maneira de ser, deixei de tantas aventuras, pelo menos fora do país e continuei morando em Coimbra. Procurei desenvolver mais o meu trabalho, comecei a trabalhar com a internet divulgando o meu trabalho e colocando publicidades das quais ao serem visitadas atribuem-me um pequeno valor sem ter nenhum custo ao visitante. Resolvi voltar a um hobby antigo do qual durante a minha adolescência fez parte da minha vida que foram as motos. Quando cheguei a Europa e tive um maior contacto com essas maquinas japonesas, procurei fugir um pouco delas e não deixar-me atrair, devido ao fato de está longe da minha família e esse desporto oferecer um certo perigo. Mais a paixão foi mais forte e passado todos esses anos resolvi retornar a elas, comprei uma potente moto e entrei no mundo dos Motards.

Anildo Motta