Braga a Holanda. PARTE 11


 

Braga. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Braga. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Braga a Holanda. PARTE 11

Trabalhei mais algum tempo, encarei o pior inverno da minha vida em Braga, durante o mês de Dezembro no Natal, ganhei um bom dinheiro. Trabalho não faltava, mais o problema era o frio que fazia, era terrível, o frio em Braga era extremamente húmido e penetrava na roupa deixando-nos com a sensação constante de humidade, e trabalhando na rua nessa temperatura era mesmo mal.

 

Depois desse período resolvi voltar a Lisboa, fui matar saudades do pessoal que já pensavam que já não me veriam mais, que eu tinha ido para o outro lado do planeta, mais estava eu de volta e no outro dia fui para a rua Augusta trabalhar fazendo os meus retratos e novos clientes.

Procurei deixar um pouco de aventuras, trabalhar e levar uma vida normal, entrei em um ginásio “Academia” para começar a malhar e cuidar da saúde e do aspecto físico, foi uma excelente atitude, comecei a levar a sério os treinos e procurei manter uma alimentação sadia e diminui as farras e as cervejas. Arrumei uma namorada maluca que era stripes em uma casa nocturna de luxo para o lado de Marques de Pombal chamava-se Susana, fazia strip tise e ganhava muito dinheiro, era uma gata autentica, só fiquei sabendo que ela era striper passado algumas semanas depois de estarmos juntos, ela tinha receio quanto a minha reacção, mais não mim importei, era divertida e não consumia drogas portanto o resto para mim não mim preocupava, mais até o momento as coisas corriam bem e aquele avião tava sendo uma nova aventura.

Procurei trabalhar com os retratos e as aquarela, eu gostava de pintar aquarelas e esse estilo funcionava como uma forma de fugir da rotina. Era incrível a necessidade que sempre tive de mudar, não só a titulo de cidades, de locais, mais até com relação ao próprio trabalho.

Tinha uma boa quantidade de aquarelas prontas e resolvi ir para a rua Augusta fazer uma boa exposição com aquarelas e retratos.

Nessa manhã resolvi ir para a Rua Augusta, sabia que em poucos minutos poderia levantar mais uma boa grana, e foi o que fiz. Depois das últimas aventuras, consegui fazer uma nova colecção de aquarelas e já estava com o dedo no gatilho para vende-las.

Cheguei a rua Augusta como sempre e coloquei o meu cavalete próximo ao Banco de Portugal, era o local usual, enquanto colocava as aquarelas no expositor paravam pessoas para admirar, como sempre, sentei peguei o meu material de pintura e comecei a pintar uma aquarela da Rua Santa Helena, era uma pequena e estreita rua da alfama muito conhecida e muito bonita, se apresentava como sempre, com as suas típicas janelinhas com uma gaiola para um pássaro, canteiros nas varandas cheios de flores, várias roupas penduradas para secar e um majestoso gato dormindo ao lado da gaiola como se fosse o anjo protector do pássaro.

Eu gostava muito de pintar essa vista pelo fato de se vender muito rápido, a aquarela da rua de Santa Helena nunca passava muito tempo no expositor era interessante a forma como que ela hipnotizava as pessoas.

Depois de algumas horas se aproximou um senhor ficou olhando os meus trabalhos e eu disse para mim mesmo, esse não sai daqui sem uma aquarela. Quando trabalhamos com vendas adquirimos uma capacidade de persuasão que não é comum nas pessoas de outras profissões, isso é natural já que o nosso trabalho nos obriga a isso, e criamos artimanhas que muitas vezes faz com que a pessoa efectue uma compra sem nem mesmo está contando com isso, só pela simpatia do vendedor e a sua forma eloquente de falar essa pessoa se ver inclinada a comprar, e era o que eu pretendia fazer com aquele homem, com um aspecto bem cuidado elegante e demonstrando interesse nas minhas obras, tinha todas as característica para ser um potencial comprador.

Mais depois que comecei a bombardea-lo com as minhas técnicas de vendas, cheguei a conclusão que afinal não era isso que ele queria, disse-me que era presidente de uma junta de freguesia na cidade de Angra do Heroísmo, era a principal e única cidade em uma pequena ilha dos Açores, um local dito extremamente turístico e muito bonito por sinal.

Ele disse-me que todos os meses de Agosto era comemorado na ilha uma famosa festa, as festas de Sanjoaninas, e ele gostaria que fosse realizada na praça principal da ilha uma manifestação artística, ou seja, gostaria que eu realizasse uma exposição lá durante as festas e que a Câmara de Angra do Heroísmo pagaria a

passagem aérea de ida e volta e quanto a hospedagem eu não precisava mim preocupar que eles se responsabilizavam.

Gostei da ideia, vi ai uma boa possibilidade de conhecer essa ilha, e como tinha praticamente tudo pago, era imperdivel a oferta, e aceitei de imediato. Ele pediu o meu contacto e ficou de ligar para confirmar a viagem e enviar o bilhete aéreo, a principio fiquei meio em dúvida que isso fosse ocorrer, embora ele parecia uma pessoa muito séria mais imaginei que provavelmente ele poderia encontrar um outro tipo de manifestação artística e se interessar já que haviam tantas na rua Augusta, principalmente o Tó “ O homen estátua”. Mais felizmente isso não ocorreu, passado algumas semanas recebi uma ligação da secretaria dele que pedia o endereço para que fosse enviada as passagens, foi muito bom esse dia, contei ao Patricy e ele gostou da ideia pelo fato de saber que durante esse tempo eu mim manteria ocupado com o meu provável turismo nos Açores e não iria mim lançar em direcção a Itália.

Recebi a passagem e finalmente chega o dia da viagem, a Susana mim levou até ao aeroporto nos despedimos e embarquei para ilha era uma viagem rápida e por sinal divertida, o avião estava cheio de pessoas que estavam indo curtir essa festa, eram todos portugueses que após o avião descolar, se levantaram e a partir desse momento era só beber e jogar conversa fora, e muita animação.

Conheci no avião duas açorianas que pelo jeito se achavam muito inteligentes e viajadas, eram simpáticas e comunicativa, muito mais que as garotas do continente, o que mim surpreendeu porque pelo fato de acreditar que as meninas das ilhas fossem muito mais provincianas na sua maneira de ser do que as lisboetas, mais estava completamente enganado, a situação era completamente contrária como quase tudo em Portugal.

Nos divertimos muito durante a viagem e uma delas queria mim convencer que no verão com dia de sol e céu limpo era possível da ilha ver a estátua da liberdade no Estados Unidos, eu ri muito e perguntei se os portugueses que elas estavam acostumadas a se relacionar acreditavam naquele tipo de conversa e se fosse o caso elas estavam precisando mudar urgentemente de amigos.

Finalmente chegamos no aeroporto dos Açores, Ilha Terceira era assim que se chamava a ilha, tinha apenas 80 km de extensão, o aeroporto era minúsculo evidentemente, foi o menor aeroporto que desembarquei na minha vida.

 

 

Açore. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Açore. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

 

 

Conheci também no avião uma rapaz chamado Pedro, também era retratista mais tinha a mania de ser o bonzão então pensei comigo, deixa o cara sonhar você não perde nada com isso.

Para ir a cidade apanhamos um táxi junto, o motorista muito simpático e conversador, fez um pequeno desvio para nos mostrar uma paisagem da ilha realmente fascinante, mais disse para não nos preocuparmos que esse desvio não iria alterar o preço da corrida, o cara era mesmo simpático.

Chegando a Angra do Heroísmo pagamos a corrida e pela simpatia ainda levou uma boa gorjeta. Acho que ele já contava com isso, a simpatia também gera rendimentos é o que aprendemos no mundo das vendas.

A cidade era pequena, evidentemente estamos em uma ilha, e pensei de forma bastante errónea, que essa minha passagem por aqui seria só a turismo porque se tratando de encomendas de retratos provavelmente não iria haver grande coisa. Pois é, não levei aquarelas. Como ele queria apenas uma manifestação artística era o que eu iria fazer, ira montar o meu cavalete, colocar alguns retratos prontos de celebridades internacionais para servi de modelo, e iria aguardar as encomendas.

Perguntamos onde ficava o clube ao qual ficaríamos hospedado assim como havia dito o responsável pelo o convite e fomos lá ter com ele.

 

 

Açores. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Açores. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

 

A cidade embora pequena mais estava muito movimentada, havia muito turismo. Depois de nos instalarmos fui dar um passeio pela cidade, havia um vulcão extinto de nome, Monte Brasil e de imediato parti em direcção a ele e comecei a subir, era uma vista muito bonita da cidade, cheguei ao alto fiquei algum tempo e depois voltei a cidade, era bonito mais não havia nada assim de tão extraordinário o tal do vulcão extinto.

Tinha comprado um excelente livro para lê, porque acreditava que fosse ter tempo o bastante para isso e passei um longo tempo sentado a beira mar relaxando e lendo o meu livro.

A noite fui jantar em um restaurante com comidas típicas e fui para cama mais cedo. No outro dia  quando acordei e sai do clube, reparei que varias lojas estavam protegidas com placas de madeiras, comecei a andar pelas ruas e reparei que também estava meio deserta e pensei que provavelmente iria haver algum desfile comemorativo e a rua tinha sido interditada a passagem de pessoas e carros, de repente reparo uns rapazes em cima de uma árvore como se estivesse fugindo de alguma coisa, viro-me para o lado direito e vejo muitas pessoas sentadas em uma pequena arquibancada, e reparei que elas olhavam para mim de forma não muito comum, quando olho para trás apanho um enorme susto, havia 4 touros enorme soltos e correndo pelas ruas. Isso fazia parte da festa que era soltar os touros dentro da cidade e alguns malucos correrem a frente deles provocando-os.

De imediato procurei mim proteger mais aonde, havia protecção de madeiras por todo o lado que impedia a passagem para fora daquela confusão, quanto as árvores da praça estavam todas ocupadas a minha única hipótese era mim esconder atrás da árvore, situação que não era nada segura porque acabei mim encontrando no meio deles.

Resultado, a minha sorte foi que um dos rapazes mais atrevidos puxou o rabo de um dos touros que acabou por atrai-los em  direcção contrária levando os outros 3 juntos, nesse momento aproveitei para corre em direcção a uma das placas de madeira e consegui saltar para o outro lado da barreira, foi um bom susto para eu despertar.

Fiquei assistindo aquela tourada a moda dos Açores e tirando fotos, nesse dia também com relação ao trabalho não fiz nada e cheguei a acreditar que a qualquer momento o Açoriano que mim convidou para a festa ia começar a reclamar então desci para a praça com o intuito de estudar o espaço, ao chegar lá já estava o Pedro desenhando e muita gente em volta dele, e isso mim inspirou a ir buscar o meu material e trabalhar também, já que agora eu tinha companhia.

Fui ao clube apanhei o material e desci para praça. A cidade estava enchendo de turistas de uma forma muito rápida, pelo visto era um avião atrás do outro e depois acabei por saber que nessa altura há uma grande enchente de turistas americanos e imigrantes açorianos que lá vivem, e que vem todos os anos passarem as ferias.

Montei o material e comecei a desenhar e de repente estava cheio de pessoas em minha volta assistindo o meu trabalho, e a partir dai começou a entrar encomendas, e quando ocorria não era apenas uma foto, as vezes apareciam pessoas com o álbum de família e eu acabava tendo que pintar quase toda a família. Nunca pensei que aquela ilha fosse um local tão bom nesse aspecto, e eu que pensei que não haveria trabalho.

Para quem ir curtir acabei passando os últimos dias trabalhando mais valeu a pena, quando voltei a Lisboa trazia um bom dinheiro no bolso, coisa que geralmente ocorria de forma contrária quando eu voltava das minhas viagens, portanto correu bem essa aventuras e trouxe boas lembranças dos Açores.

Ao chegar em Lisboa voltei ao trabalho e a vida dita normal, a essa altura a doidinha da Susana já não queria saber de mim, no fundo ela estava era a procura de um marido e eu definitivamente não nascí para viver trocando fraldas de crianças e nem levar uma vidinha de maridinho comportado, a liberdade para mim é mais importante.

Depois de algum tempo recebo noticias do Fernando, estava curioso como estaria sendo a vida dele na Holanda, ele estava muito feliz e quando eu perguntava se ele não sentia saudades de Portugal, ele dizia que Portugal jamais iria voltar a vê-lo, estava muito satisfeito com a vida na Holanda. Ele morava em uma cidade chamada Gouda que ficava a poucos quilómetros de Amsterdam e gostaria imenso que eu fosse visita-lo, percebi que embora a nível profissional ele estivesse bem, mais em termo de amigos e pessoas para conversar ele não tinha ninguém, evidentemente só a Marenca, ainda estava na fase de adaptação e o idioma era um sério problema, falar holandês não é nada fácil e ele costumava dizer que nunca iria aprender, que era muito difícil, mais eu sempre o animei no sentido de faze-lo entender que o fato de morar no país e conviver diariamente com pessoas que fala outro idioma, simultaneamente aos poucos ele iria acabar por apreender, mais ele não acreditava muito.

Então depois de equilibrar as contas resolvi e ter com o Fernando e conhecer esse país tão famoso pela a sua forma liberal de viver e a sua enorme hospitalidade. Quanto ao carro estava preparado para uma aventura dessa, como tinha instalado o sistema gpl viajem seria bem mais barata em termo de combustível, e também tinha mandado instalar um radio com leitor de cd que naquela época era um luxo possuir tal equipamento no carro, portanto enfiei lá a minha bagagem e apanhei a estrada em direçaõ a Amsterdam.

Já havia planeado no mapa todo o trajecto da viagem, o meu objectivo era passar a 1º noite em Burgos, Espanha, e atravessar a Espanha era o trajeto mais longo embora as estrada nacional sejam formidáveis não havia comparação possível com Portugal, só em entrarmos em Espanha já sentíamos a diferença, essa viagem desnecessário dizer que sempre foi um dos meus milhões de sonho, atravessar a Europa de carro e estava realizando mais um sonho.

 

Salamanca. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Salamanca. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Tenho agora pela frente a IP5 que liga Portugal a Espanha, isso será rápido, depois duas grandes cidades espanholas como Ciudad Rodrigo, Salamanca e Valladolid. Quando estava próximo a Valladolid começa a anunciar o primeiro problema, problema esse que consistia no combustível, precisei abastecer e parei em

uma bomba na estrada e para a minha surpresa a bomba não possuía GPL ou seja, o sistema de abastecimento a gás o qual a pessoa da empresa em Portugal que mim instalou o equipamento havia mim dito que era comum em todos os postos na Europa Bombas com abastecimento GPL e que cheguei a conclusão que não era verdade.

Depois de algum tempo de conversa com o funcionário do posto, ele deixou bem claro que os postos em Espanha não vendiam esse tipo de combustível para carros e que ele tinha conhecimento de que o único meio de transporte em Espanha que usava tal combustível era os ónibus de transporte público, que se eu fosse a uma estação de ónibus talvez conseguisse abastecer. E foi o que fiz sai a procura da estação onde eles efectuavam manutenção e abastecimento dos ónibus de transporte público para tentar abastecer, e cada vez mais o combustível no fim.

Salamanca. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

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Depois de algum tempo rodando pela aquelas ruas em busca da tal estação, cheguei a conclusão que se encontrasse iria ter problema na mesma por causa do adaptador que liga a mangueira a tampa de combustível do meu carro, já que provavelmente a tampa de encaixe que liga aos ónibus seria diferente do adaptador do meu carro, portanto resolvi ir em direcção a um posto de abastecimento normal e encher o tanque com gasolina. Pois é, o vantajoso desse sistema era que mantinha-se sempre o tanque de gasolina no carro e o sistema de alimentação para o caso de não haver gás. Possibilitava voltar a tradicional gasolina, só que o gasto em combustível ficaria o dobro, mais eu não tinha outra escolha, só torcia que ao chegar a França, Bélgica e Holanda os postos utilizassem o mesmo sistema de Portugal e eu pudesse fazer toda a viagem usando o gás como combustível, alguns quilómetros depois, parei em uma simpática cidade chamada Tordesilhas, o que mim fez recorda o velho tratado de Tordesilhas que foi assinado entre Portugal e Espanha na altura dos descobrimento, tratado esse que dividia a América latina entre os dois colonizadores.

Parei para descansar um pouco e esticar as pernas, embora a viagem seja confortável de carro ouvindo radio e procurando sintonizar as rádios espanholas, não deixar de se tornar cansativa pelo fato de mantermos um estado de alerta constante e na mesma posição o tempo todo.

Já próximo de Burgos encontrei uma área de serviço a qual resolvi passar a noite, fui ao restaurante tomar um café e ver um pouco de televisão até o sono mim apanhar por completo o que mim faria retornar ao carro e seria o local em que eu iria dormir.

 

Tinha comigo o saco cama que havia comprado naquele verão em Paris, portanto não iria ter frio algum já que ele era bem quente e quanto ao carro era bem espaçoso portanto conseguiria dormir sem problemas, sem problema digo eu, porque durante a noite com os movimentos acabei arrancando alguns botões do radio, sistema de usuflagem e mais algumas coisinha pontiagudas que não deveria está ali nesse momento, mais pronto nada de tão grave.

Pela manhã depois do café da manhã apanho a estrada em direção a Irum, fronteira de Espanha e França. Se a Espanha as estradas já eram boas França melhor ainda. Evitava apanhar as autoestradas com portagens porque nesse caso teria de pagar, por isso procurava fazer a viagem sempre pela nacional embora havia situações em que acabava por lá ir parar mais não permanecia por muito tempo, a primeira saída que encontrava retornava a nacional.

Depois que entrei em França fiquei atento aos postos de abastecimento para ver se encontrava bombas a GPL e encher o tanque. O tanque que possuía instalado na bagageira do meu carro era enorme a ponto de ocupar toda a bagageira que por si já era grande, portanto ao encher esse tanque tinha combustível para muitos quilómetros. De repente vejo uma placa de sinalização alertando quanto a aproximação de um posto, e ao chegar curioso e correndo o olhar pelas bombas todas para ver se via o símbolo GPL que era usual nos postos que trabalhavam com ele e finalmente para a minha felicidade lá estava uma área muito bem preparada só para os automóveis movidos a GPL, fiquei extremamente tranquilo, porque se não fosse o sistema GPL eu iria gastar o dobro do dinheiro com combustível. Enchi o tanque e segui viagem. A uma pequena diferença no comportamento do carro quando estamos usando o GPL, é como se ocorresse uma pequena perda de potencia, mais valia a pena sem dúvida o uso desse combustível, evidentemente se fosse para um uso mais desportivo, mais de que interessa quem está viajando e passeando não tem essa necessidade, pelo menos eu não nesse momento.

Era bem agradável parar nas pequenas cidades que havia pelo interior de França para tomar um café e relaxar um pouco, era um atmosfera a interessante e as pessoas como sempre muito simpáticas atravessar a França foi bem interessante.

Cidades como Bordeaux, cidade essa que conhecia e já tinha ouvido diversas vezes a falar por causa do bom vinho que eles produziam. Procurava sempre seguir em direção a Paris para manter sempre a trajetória e pelo fato da sinalização ser muito boa.

Quando estava chegando a Paris evidentemente teria que evitar entrar na cidade e procurar passar ao lado fugindo do transito infernal de Paris, mais a coisa não saiu como eu queria, quando

dei conta estava preso no meio de centenas de carros seguindo uma rota que não era a bem pretendida, resultado, lá estava eu dentro da cidade com carros em toda a minha volta, um ritmo típico das grandes cidades e cada vez mais eu mim enfiava no meio da confusão do transito sem conseguir encontrar uma saída, mais de repente vi uma placa sinalizando Aeroporto e foi o que fiz de imediato, apanhei em direcção ao aeroporto porque sabia que uma vez estando lá próximo, encontraria muitas opções para seguir em direcção a Bélgica e foi o que aconteceu na primeira indicação que apareceu.

A noite eu já estava atravessando a Bélgica, a auto estrada belga era espetacular, grande parte dela toda iluminada, a pista era larguíssima a ponto de nos convidar a dar uma aceleradazinhas mantendo o ritmo da viagem um pouco mais rápido, evidentemente sem abusar muito. Precisava abastecer e parei no primeiro posto que surgiu e havia bombas GPL para abastecimento a automóveis dei um sorriso de satisfação parei o carro e fui proceder o abastecimento. Foi ai que mim deparei com uma outra surpresa, havia GPL, óptimo, mais o adaptador da bomba era diferente do adaptador do meu carro, portanto não encaixava, ou seja não tinha hipótese de abastecer, portanto a única solução era voltar a colocar gasolina e seguir para a Holanda.

Carreguei o tanque de gasolina paguei e fui continuar a viagem, ou melhor, tentar continuar porque depois de ter andado tanto a

GPL e ainda com umas aceleradas forte que andei dando o sistema já não queria aceitar a gasolina, simplesmente o carro não pegava a gasolina. Pronto tô ferrado, de madrugada em uma autoestrada no meio da Bélgica com o carro sem querer funcionar, ok, depois de dar alguns chutes no carro cheguei a conclusão que o melhor seria relaxar, empurrar o carro até uma área mais segura e passar a noite no posto, pela manhã iria ver o que seria possível fazer. Depois de empurrar o carro até uma área mais segura, resolvi mim armar em mecânico, sabia que um sistema eletrónico controlava todo o sistema no carro relativo ao sistema de injecção e pensei, se eu desligar a bateria e voltar a ligar passado alguns minutos isso pode resultar em um reset no sistema que teria que começar tudo de novo e assim poderia voltar a funcionar com a gasolina.

Pois foi o que fiz, retirei a bateria e passado uns 10 minutos resolvi voltar a ligar, resultado, o carro funcionou perfeitamente, foi uma vitória bem agradável para mim, resolvi um problema do qual se não tivesse feito, seria uma perda de tempo e dinheiro que  atrasaria bem a viagem, embora tempo não era problema, era o que eu mais tinha.

Peguei a minha maquina e acelerei em direcção a Holanda. Quando estava para passar ao lado de Antuérpia, ocorreu o mesmo que em Paris, embora não havia tantos motivos já que era noite e não havia transito, mais por incrível que pareça mim enfiei para o centro da Antuérpia. Uma cidade maravilhosamente linda, mais não era minha intenção visita-la, portanto tinha que sair dali.

Só que não estava fácil, por duas vezes sai e entrei na Antuérpia sempre pela mesma entrada, e ia parar sempre no mesmo lugar, resolvi ter mais atenção na 3º vez para não repetir, e por incrível que pareça fui parar no mesmo local e quase que entro pela 3º vez, mais consegui corrigir o erro que estava cometendo e apontei de novo em direcção a Holanda.

Eu já estava muito cansado por isso que estava cometendo alguns erros e cheguei a conclusão que deveria parar e dormir um pouco e pela manhã chegaria a Holanda mais tranquilo e descansado, não havia necessidade de forçar a barra, então arrumei uma área de serviço e passei a noite.

Pela manhã cedo estava entrando nesse país simplesmente maravilhoso. A Holanda para mim é o país mais simpático e liberal que já estive, sem levar em conta a quantidade de mulheres bonitas que cruzávamos nas rua, eu mim apaixonava a cada esquina, era fantástica a genética holandesa a estrutura física das mulheres, eram altas e fisicamente perfeitas, via-se mulherões de 1.80 a 1.90 e quando olhava no rosto via que se tratava de meninas ainda novinhas mais já possuía um físico admirável. Confesso Holanda mexeu muito comigo  o Fernando tanto falava ao telefone a respeito de lá, afinal era verdade.

Holanda. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Holanda. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Como tudo na vida a sempre tem um porem, e no caso da Holanda era o inverno extremamente forte, o clima era muito duro e levava-me sempre como nos países anteriores a retornar a Portugal, portanto a hipótese de viver em um país desse era muito complicado, como faria eu para ganhar dinheiro no inverno, uma coisa eu sabia, seria possível sim viver na Holanda como artista, porque é evidente que há artista lá que vivem assim, mais uma coisa eu tinha certeza, não iria ganhar dinheiro tão fácil como o que ganho em Portugal, em Portugal aquilo chegava a virar piada, as vezes eu ganhava dinheiro até sem está trabalhando, as vezes estava em um café a noite curtindo com os amigos quando se aproximava uma pessoa que mim perguntava se era o rapaz que fazia retratos na baixa e depois disso acabavam por puxar umas fotografias e fazer umas encomendas, encomendas essas que muitas vezes equivalia a mais de uma semana de trabalho dos colegas nas obras, trabalhando muito duro e recebendo ordens. Por causa disso Portugal mim tinha sempre de volta, na verdade eu mim deixava vender pelas facilidades que o país mim oferecia em temos financeiros, mais em termos humanos e relações sociais o pouco tempo que eu levava quando estava fora de Portugal, em relações sociais e humanas equivalia a meses vivendo lá.

Mais pronto, tudo na vida tem o seu preço, uma coisa também eu tinha certeza, se tivesse morando em um país desse principalmente Holanda, muito cedo acabaria mim apaixonando por um anjinho daqueles e acabaria mim casando e mim enchendo de filhos, compromissos, e muitas responsabilidades assim como irá se passar com o Fernando e no fundo isso mim assustava um pouco, por isso acho que como costuma-se dizer, Há males que vem para o bem!

Já mim encontrava no centro de Gouda, era uma cidade pequena e foi muito fácil encontrar a casa do Fernando. Haviam dois policiais na rua quando parei e fui ter com eles para pedir informação, os dois policiais eram ambos da mesma altura que eu, e eu conversava com eles sem ter que olhar para baixo para pode olhar nos olhos, o que eu quero dizer com isso, em Portugal era impossível, era raríssimo conversar com um português sem ter que olhar para baixo, impossível conversar mantendo uma postura recta olhando de forma horizontal, pelo simples fato da genética portuguesa não permitir que crescessem a não ser para os lados, e eu com os meus 1.90cm tinha sempre que conversar olhando para baixo, para vocês isso não deve fazer muita diferença porque sei também que nem todos tem 1.90, mais é agradável conversar com pessoas que possuem uma estatura física evoluída, sei que como se diz na linguagem popular, tamanho não é documento, mais é presença e sempre será, por isso eu mim sentia em casa estando na Holanda, é um povo que em termo de estrutura física assim como os alemães são bem desenvolvida e isso dava mais seriedade ao filme.

Depois de falar com os policiais, agradeci e fui até uma cabine pública ligar para o Fernando, disse-lhe para mim aguardar na porta da casa já que a rua eu já sabia qual era. E foi o que aconteceu assim que entrei na tal rua que os policiais mim indicaram vi o Fernando acenando do outro lado com um enorme sorriso estampado no rosto.