Paris. A cidade das luzes. Parte 06

Paris. PARTE O6

 

Gare de Montparnasse

Gare de Montparnasse. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Gare de Montparnasse. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Gare de Montparnasse

 

Oh melhor, estação de trem, uma enorme estação que fica situada na zona de montparnasse e que faz a ligação entre a parte oeste e sudeste do país, aqui é possível ter transporte para todos os lados de todas as maneiras, seja de, metro, táxis, ónibus. Agora sim posso dizer que me encontro no centro do mundo, no berço da civilização cultural e artísticas, estou com uma ansiedade enorme de conhecer o Louvre, As vezes criamos tantas expectativas quanto a algo que desconhecemos e quando passamos a vivencia-lo ficamos espantado com a sua simplicidade, me refiro ao fato de pensarmos as vezes nas dificuldades que possivelmente poderíamos ter ao ir visitar uma terra longínqua, problemas com o idioma , com o sistema, com as pessoas, e quando nos deparamos com essa situação, que é o meu caso aqui em França, sozinho sem dominar o idioma, chego a conclusão que afinal não há problema nenhum, não há dificuldade nenhuma.

Assim que desci do trem, segui na mesma direção que as demais pessoas como se soubesse para onde estava indo, saber não sabia, mais podia perguntar, e como diz aquela velha frase, quem tem boca vai a Roma! Mesmo sem falar o idioma como disse antes. Eu tinha comigo o mapa de Paris, e nele bem acentuado com um circulo feito com uma caneta o Museu do Louvre, havia um rapaz encostado a uma parede folheando uma revista que parecia relacionada a automóveis topo de gama, altas maquinas de quatro rodas, e pensei, está ali o meu orientador turístico.

 

 

O francês até parecia está a minha espera, me dirigi a ele e falando um inglês desastroso, perguntei-lhe como poderia fazer para ir até o Museu do Louvre. O rapaz de imediato fechou a revista, tirou o cigarro da boca e demonstrando boa vontade começou a me dar a informação, o curioso é que percebi que ele também não falava bem o inglês e justamente para dar o ar de que sabia ele tentava, aumentava mais ainda o interesse em me dar a informação usando uma língua que não era a sua. Me indicou qual o metro a apanhar e varias outras coisas que eu não percebia, o importante é que quanto ao metro e o local que deveria descer ficou bem esclarecida.

Agradeci ao garoto e me dirigi ao metro, era uma sensação de boas vindas de que como tinha dito antes, todas as expectativas são exageradas, as vezes as coisas são mais simples do que imaginamos. Depois comecei a me pergunta, depois do Louvre qual seria a próxima etapa, e lembrei-me do bairro em que o Patrick costumava muito falar, Montmartre, o bairro onde se encontra artista do mundo todo, a séculos atrás era o ponto de encontro de grandes artistas como Degas, Cézzane, Monet, Van gogh e vários outros mestre da pintura que naquela altura evidentemente não tinham a fama que tem hoje.

 

A minha passagem aqui não será muito longa, vai ser uma visita relâmpago, vou tentar visitar o máximo de locais turísticos possíveis e amanhã tenho que retornar, o dinheiro não vai dar para mais, é uma pena porque pretendia trabalhar e tentar ficar por aqui, mais para isso teria que chegar com um bom dinheiro para que eu pudesse ir me orientando até conseguir entrar no ritmo e isso não seria agora, mais pronto, o importante é que vou realizar embora de forma rápida um sonho que sempre tive que é conhecer Paris, pelos os meu cálculos posso ficar no máximo 2 dias.

De acordo com o françes eu deveria me deslocar até o metro e apanhar em direção a Palais Royal/Musée du Louvre, já no metro percebi que duas linhas se cruzavam nessa estação.

O acesso direto ao Louvre se encontra na plataforma direção La Defense. Aqueles que chegam a esta estação vindos pela linha número 7 não devem sair e sim procurar a direção La Defense

Aí se encontrava a saída para o Carrousel du Louvre, onde se encontra a pirâmide invertida e as entradas do museu.

Mas para aqueles que nunca foram ao Louvre, melhor entrar pela Pirâmide, fica mais fácil encontrar o caminho para chegarem até as obras de arte consideradas como as principais.

Realmente o Louvre é um verdadeiro banho de historia da arte, de civilizações, ciência, um mundo alucinante que nos faz sentir um vazio no estômago como se estivéssemos a espera de nos surpreender a cada minuto diante de uma obra de arte, diante de uma descoberta.

Pelo tamanho daquilo tudo e pelo ritmo que eu mantinha acreditava que não seria possível poder desfrutar de tudo aquilo em poucas horas, precisaria de dias para poder deglutir aos poucos e desfrutar de toda aquela maravilha, mais não era possível, ainda tinha muita coisa para ver e eu não podia levar mais que uma 3 horas lá dentro, como disse antes, que para me significa muito pouco tempo.

Finalmente parei em frente da Mona lisa também conhecida como ” A Gioconda” pintada pelo extraordinário Leonardo da Vince, mostra uma mulher com uma expressão retrospetivas com um ligeiro sorriso, é provavelmente o retrato mais famoso na historia da arte, constantemente reproduzida em todo o mundo de diversas formas, é um dos raros trabalhos na historia da arte com uma visão tão internacional.

Esse quadro foi trazido pelo próprio Leonardo em 1516 quando foi convidado pelo rei francês que não me recordo o nome no momento, para que viesse trabalhar em sua corte. O rei comprou a pintura para que fosse exposta no Fontainebleau e depois no Palácio de Verssalles.

Após a revolução francesa o quadro foi levado para o Louvre. O imperador Napoleão Bonaparte era apaixonado pelo quadro e chegou a decorar os seu aposentos com a Mona Lisa e durante a guerra da Prússia a Mona Lisa bem como varias peças da colecção do Louvre foram escondidas em um lugar seguro.

Em 22 de Agosto de 1911 a Mona Lisa foi roubada. Foi preso e posto na prisão um poeta francês suspeito do roubo, o próprio Pablo Picasso foi preso e interrogado mais ambos foram soltos mais tarde, acreditava se que a pintura estava perdida para sempre, o quadro foi recuperado quando o empregado, ou ex empregado do Louvre tentou vende-la, ele acreditava que o quadro de Leonardo deveria ficar em Itália, o seu país de origem, roubou-a da forma mais simples possível, ao sair do trabalho enfiou ela no casaco e deixou o Louvre.

A quantidade de obras exposta no Louvre é impressionante, são mais de 35000 obras expostas permanentemente, numerosas obras-primas dos grandes artistas da Europa como Ticiano, Rembrandt, Michelangelo, Goya e Rubens. Os trabalhos do Rubens foi os quais levei mais tempo contemplando, quando garoto ganhei uma revista de pinturas clássicas das quais havia muitos trabalhos do Rubens, e quando comecei a pintar óleo sobre tela, foram muitas horas que levei pesquisando e estudando os efeitos de claro e escuro do Rubens e do Rembrandt, tiveram uma influencia muito grande no meu trabalho, embora eu tivesse uma queda muito forte pelo surrealismo.

Mais independente dos artistas de fama tão extra ordinária como o Leonardo, encontrei vários outros, ou melhor as obras de vários outros que continha uma capacidade de informação simplesmente avassaladora e no entanto não eram tão famosos e tão divulgado.

O mundo das artes é assim. Passado já umas boas horas lá dentro a fome já me chateava e me incentivava a ir embora e também havia muita coisa para fazer e uma coisa eu tinha certeza, é que não iria demorar muito para eu retornar a Paris e ao Louvre evidentemente, acho que o Louvre está para os artistas como Meca esta para os muçulmanos.

 

 

Deixei o Louvre e fui em direção a avenida mais conhecida de Paris,Champs-Élysées uma avenida enorme, o luxo está por todo lado, aqui é que temos uma prova da força do dinheiro do capitalismo, do que o dinheiro é capaz de fazer, e nos sentimos seduzidos por ele, as ruas das lojas mais caras e com uma explosão de glamour que vai desde o Arco de Triunfo até à Praça da Concórdia. Tem 1880 metros de longitude.

O nome Campos Elísios vem da mitologia grega, onde designava a moradia dos mortos reservada às almas virtuosas; o equivalente do paraíso cristão. Não foi necessário apanhar o metro, fui andando e afinal não era tão longe, mais também, quando estamos passeando nada nos parece tão longe. Aqui não adianta procurar um local simples e aparentemente mais barato para comer, não, não há nada simples e barato, é tudo caro e entrar em um restaurante, pedir o menu e almoçar naturalmente é um suicídio para quem está com pouca grana, então uso sempre a velha técnica que consiste em procurar super mercados e procurar me abastecer, embora não havia nenhum próximo, pelo menos se havia eu não sabia e nem constava no mapa, então vi um restaurante que possuía refeições ligeiras, comprei uma enorme baguete, como não poderia deixar de ser, cheia de atum e salada, acompanhada de uma cerveja, fiquei impec, mais de qualquer maneira tinha que encontrar um super mercado, esse sanduíche de atum e salada, no super mercado ficaria 1/4 do preço mais barato.

Na minha frente encontro uma enorme praça que é onde se começa a famosa avenida de Champs- Élisées, essa praça é a Praça da concórdia, que em francês seria Place de la concord, é a segunda maior praça da França, qual é a 1º? Não faço ideia, daqui tenho a visão da grande reta de 1880 metros que vai até ao majestoso Arco do Triunfo.

A avenida tem 71 metros de largura por 1,9 km de comprimento, iniciando-se na place de la Concord , junto ao Museu do Louvre e ao Jardim da Tulheiria, segue a orientação sudeste-noroeste e termina na praça Charles de Gaulle, onde está o Arco do Triunfo.

Todos os anos, o Tour de France, a mais famosa corrida ciclística do mundo, consagra seu vencedor numa última etapa que termina nos Champs-Élysées. Cada ano, na festa nacional francesa, no dia 14 de Julho, o principal desfile militar da França, terrestre e aéreo, acontece nos Champs Elysées. As tropas do Exército, Marinha Nacional, Força Aérea, Gendarmerie (um tipo polícia federal militar), Polícia e os Bombeiros passam pelo presidente da República, os principais governantes e os embaixadores estrangeiros juntos em uma tribuna oficial, montada à frente da Place da la Concord.

 

Paris. A história de um imigrante  brasileiro na Europa.

Paris. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

 

Depois de uma boa caminhada chego ao arco do triunfo, nas fotos não parece tão grande mais diante dele é que descobrimos a sua opulência o seu estilo construído em comemoração às vitórias militares de Napoleão Bonaparte, o qual ordenou a sua construção em 1806. Inaugurado em 1836, a monumental obra detém, gravados, os nomes de 128 batalhas e 558 generais. Em sua base, situa-se o Túmulo do Soldado Desconhecido (1920). .

Iniciado em 1806, após a vitória napoleônica em Austerlitz, o Arc de Triomphe representa, em verdade, o enaltecimento das glórias e conquistas francesas, sob a liderança de Napoleão Bonaparte: seja este oficial das forças armadas, esteja ele dotado da eminente insígnia imperial. A obra, no entanto, foi somente finalizada em 1836, dada a interrupção propiciada pela derrocada do Império (1815). Com 50 metros de altura, o monumental arco tornou-se, desde então, ponto de partida ou passagem das principais paradas militares, manifestações e, claro, visitas turísticas.

A praça estava cheia de turistas nesse dia, como deve ser comum em todos os outros, já que no verão a quantidade de turistas que invadem Paris é enorme. Enquanto estou admirando o arco há um casal que me pede para fazer uma foto deles tendo como fundo o arco, foi ai que raparei que eram brasileiros do sul do Brasil, tirei as fotos e conversamos um pouco, estavam de ferias e passaram os últimos 2 anos juntando dinheiro para essa viagem, estão evidentemente encantados com tudo que já haviam visto e ainda iriam ver.

 

 

Paris. A história de um imigrante  brasileiro na Europa.

Paris. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

 

O rapaz além da maquina fotográfica carregava um binóculo e aproveitei para ver em mais detalhes o Arco, e ai é que se consegui analisar e admirar a quantidade de estátuas e detalhes artísticos que compõe a base mais alta do arco, aquilo é uma verdadeira exposição de esculturas.

Depois da visita ao arco chegou a hora de partir para a próxima visita, abri o mapa e advinhe quem seria? A majestosa Torre Eiffel, a dama de ferro, que é possível ve-la de qualquer lado da cidade, e eu já estava visualizando-a a um bom tempo, é possível chegar a ela até sem mapa, mais o consultei para saber qual o itinerário mais rápido, e o encontrei, era a avenida D´Léna que ia diretinho em direção a Torre.

Quando cheguei a frente dela antes de atravessar a ponte que curiosamente tem o mesmo nome da avenida, Ponte D ´Léna, permaneci alguns momentos contemplando aquela maravilha de construção. Haviam artistas por todo lado, artistas vindo de varias partes do mundo, chineses, sul americanos, ingleses, africanos era uma explosão de arte por todo lado, senti uma vontade grande de puxar o meu material e começar a pintar sentado na entrada da ponte de D´Eléna mais ainda havia muita coisa que eu queria ver e explorar, a maioria dos artistas trabalhavam com aquarelas e retratos, haviam trabalhos magníficos, artistas com enormes talentos, eu parava sempre a frente deles para admirar as obras e ver se aprendia alguma coisa, mais estava na hora de atravessar a ponte, atravessar aquele rio fenomenal, o Sena. O Sena (la Seine, em francês) ele banha Paris, e vai desaguar no Oceano Atlântico. Possui uma extensão de 776 km.O rio Sena é conhecido como o rio dos namorados. Me fez lembrar o Rio Tejo em Lisboa que também trata-se de uma paisagem muito bonita e que eu costumava levar as portuguesinhas que conhecia para namorarmos a beira do rio, e fique imaginando fazendo o mesmo aqui em Paris, levar uma Francesinha a noite para beira do Sena para bebemos um bom vinho e ficarmos namorando, sem dúvida, Paris, Sena, Francesinhas faz bem mais o meu gosto. Além disso as francesas são bem mais evoluídas, receptiveis e hospitaleira do que a portuguesas.

Quando passamos por uma francesinha e lançamos um olhar acompanhado de um sorriso, a possibilidade de haver um retorno é simplesmente 10 vezes mais que uma portuguesa, já estou um bom tempo em Portugal, e ainda não consegui entender por que elas são tão provincianas e quando temos um gesto tão normal de aproximação como esse, a maioria age como se quiséssemos assalta-la, essa não é uma opinião apenas minha, é de todos os brasileiros que conheço, fazem sempre o mesmo comentário, Portugal está tão próximo da Espanha e quanto as espanholas também são extremamente simpáticas e de fácil aproximação, muitas vezes elas é que vem ter com agente.

 

 

Pelo que tenho observado as portuguesas tem medo de demonstrar os seu sentimentos, e quando está interessada em um rapaz ao invés de procurar faze-lo perceber utilizando o charme e todo aquele ritual feminino de atração, elas simplesmente torna-se hostil e mal educada, essa é uma característica típica do mundo animal, em que uma fêmea quando tem interesse em um macho, agrediu e em algumas espécies depois do acasalamento chega a mata-los e a come-los, pois as portuguesas agem mais o menos assim no que se refere a hostilidade, evidentemente devo salientar que isso ocorria a 22 anos atrás, hoje em dia depois de tantas novelas brasileiras na televisão portuguesa, tantas informações que chegaram, houve uma mudança muito grande, os jovens agora não tem absolutamente nada a ver com os jovens daquela altura, mais o que me intrigava era porque havia tantas diferenças e ainda há diferenças. Recordo-me de uma portuguesa que conheci e começamos a sair, ela mim revelou que já a mais de 4 meses me observava e tinha interesse em está comigo e no entanto eu não dava oportunidades, eu achei isso fantástico, porque todas as vezes que tentava uma aproximação, ela tinha um comportamento totalmente hostil e mal educado, o que me levava a acreditar que não queria nada comigo, ou seja, elas possuíam e ainda possuem uma característica em termo de relacionamento simplesmente atrasado.

Quando estava com os amigos em Lisboa e comentávamos sobre esses assuntos, eles não acreditavam que fosse possível uma mulher se comportar assim, porque não é normal, e realmente também acho que não, mais tive varias experiências e comentava com eles usando como exemplo a minha teoria, é que as vezes saia com uma garota que já tinha um namorado ou um relacionamento sério, íamos a um cinema ou um restaurante, quando ela começava a falar demais do namorado, o tempo inteiro o namorado, em uma situação normal o cara desistia e a levava para casa depois do encontro, mais com eu já conhecia esse fenómeno esquisito, saltava para o pescoço dela e o resultado é que muitas vezes acabávamos na cama, e não era de estranhar quando acabacemos de transar, ela voltasse a falar do namorado, essa cultura é simplesmente fenomenal.

Vamos voltar para o Sena, nasce a 470 metros de altitude, na Meseta de Langres, em Côte-d’Or. O seu curso tem uma orientação geral de sudoeste a noroeste. Deságua no canal da Mancha, perto de Le Havre. A superfície que ocupa é aproximadamente 75.000 km².

O entulho proveniente das demolições, assim como o transporte de materiais para construção, areia, pedra, cimento e concreto, além de terra de escavação, são produtos que navegam pelas águas do Sena.O carvão que abastece as usinas termoeléctricas também é transportado por esse meio, para evitar congestionamento e poluição ambiental e sonora causada pelos caminhões, assim como o transporte de peças volumosas.O trigo, da famosa baguette francesa, também utiliza a hidrovia, pois os importantes moinhos estão localizados nas margens do Sena.

O transporte turístico de passageiros, pelo Rio Sena, é uma atividade tradicional em Paris, com seus famosos Bateaux Mouches, barcos moscas. O número de turistas na França supera os 80 milhões, e a grande maioria visita Paris. Como as principais atrações turísticas de Paris estão localizadas junto as margens do Rio Sena ou nas suas proximidades, de 200 a 500 metros, a Prefeitura de Paris está elaborando um projeto de interligação dos diversos trechos das margens do rio.

Finalmente depois de atravessar a Ponte D´Léna, estou diante da dama de ferro. A Torre Eiffel foi construída por Gustave Eiffel para a Exibição Universal de 1889, em Paris, realizada na data do centenário da Revolução Francesa. Uma estrutura revolucionária para a época. Ainda hoje, é um dos principais símbolos de Paris e da França.

A Torre levou dois anos para ser concluída e foi inaugurada pelo Príncipe de Gales que, posteriormente, tornou-se o Rei Eduardo VII do Reino Unido.

Até a época da construção da Torre Eiffel, a edificação mais alta erguida por seres humanos era a Grande Pirâmide de Quéops, no Egito, com 138 metros de altura e quase cinco mil anos de idade. A Torre Eiffel permaneceu como a construção mais alta do mundo até 1930

A Torre tem 300 metros de altura. Somando-se a extensão da antena, a altura total da Torre é de 320,75 metros. Seu peso total é de sete mil toneladas, incluindo 40 toneladas de tinta. Possui 15 mil peças de aço e 1652 degraus até o topo. Felizmente, um sistema de elevadores também foi instalado.

 

A Torre possui três plataformas. Do topo, o ponto mais alto de Paris, tem-se uma vista panorâmica da cidade. De tirar o fôlego quando existem poucas nuvens

Apesar de sua estrutura colossal, a Torre Eiffel foi construída apenas para a Exibição Universal de 1889 e previa-se sua demolição após a Exibição. Seu uso para estudos meteorológicos e o bom senso dos parisienses evitaram que tal bobagem ocorresse.

A primeira plataforma possui um bom restaurante. Se você que desfrutar de uma excelente cozinha francesa e jantar observando uma fantástica vista de Paris, é absolutamente necessário fazer reserva com antecedência. Quando a conta chegar, não se assuste: não é o preço da Torre é apenas o da refeição.

Como não podia deixar de ser, comprei o ticket e subi até o alto da torre, fiquei durante um longo tempo lá em cima admirando aquela vista espetacular e depois me veio uma sensação de realização por saber que tanto fiz e acabei por realizar um sonho que tanto almejava, que era subir na Torre Eiffel e admirar Paris, e acredito que é o sonho de muita gente, e se não for, espero que esse livro crie essa necessidade e que um dia venham confirmar, vale a pena o esforço.

Depois de vistoriar Paris de uma ponta a outra comecei a fazer uma retrospectiva de tudo que tinha se passado até aquele momento, que afinal não foi nada difícil, muitas vezes exageramos nas nossas conclusões e quando as coisas se realizam é que percebemos a simplicidade. Apenas com o auxilio da arte, uma área profissional que muitas pessoas consideram tão duvidosa no sentido de trazer benefícios financeiros, ela me levou para conhecer o mundo em um espaço de tempo tão curto, e acredito que ela ainda vai me presentear com muito mais.

Já está ficando tarde tenho que descer e começar a pensar em arrumar um hotel ou pensão se houver, para passar a noite.

Apanhei o elevado e desci da torre, ao chegar na base, havia filas de gente tentando entrar, aquele movimento de turista parecia nunca acabar, porque estava sempre chegando mais, havia um banco a minha frente e resolvi sentar e descasar um pouco enquanto observava aquele movimento.

De repente aproximasse de mim um rapaz com a idade entre 20 a 25 anos com um cigarro apagado entre os dedos e uma mochila enorme nas costas, parecia um caracol gigante e me pergunta em português bem claro, se tenho lume, lume em Portugal é isqueiro ou fogo para o cigarro. Eu respondo que não, e o interrogo quanto ao fato dele deduzir que eu falava português.

Eu havia comprado em Portugal uma mochila em uma grande loja chamada ” Polux” e ele respondeu que sabia que eu era português, ou vinha de lá, pelo simples fato de conhecer a mochila que era um produto exclusivo dessa loja e que ele tinha uma igual, e ai foi fácil. Sentou ao meu lado e começamos a conversar.

 

 

O cara era um verdadeiro aventureiro, o nome dele era Bruno, fazia o que uma grande parte dos jovens europeus com o espírito de aventura fazem durante o verão, compram um bilhete de trem chamado InterPass, bilhete esse que tem a validade de 30 dias e nesse meio tempo ele pode apanhar qualquer trem dentro da Europa para qualquer lado sem pagar nada, só paga o valor fixo do bilhete apenas 1 vez.

Carregava consigo uma grande mochila na qual transportava uma tenda de campismo, saco cama, cochine-te, até um copo de alumínio pendurado do lado da mochila havia, e assim ele visitava vários países e a noite ia dormir a um parque de campismo. Ele possuía além do bilhete InterPass um cartão internacional de campista e a cada cidade que chegava, a noite ia ao parque montava a sua tenda tomava um bom banho, jantava e pela manhã desmontava a tenda e partia em viagem novamente, ou seja, não gastava dinheiro nenhum com pensões ou hotéis, era um processo bem vantajoso para conhecer a Europa.

Depois de um bom bate papo, disse para ele que precisava ir a procura de um hotel ou pensão para passar a noite já que na manhã seguinte pretendia voltar a Portugal, ele disse, “Esse gajo pá ta cheio do dinheiro” e eu disse para ele, que cheio de dinheiro, vim para cá com pouca grana, sou tão turista quanto você, ele tirou o cigarro da boca olhou para mim com as sobrancelhas levantadas e disse, você faz ideia do valor que vai pagar por uma noite em um hotel em Paris, que é o suficiente para você passar 1 semana almoçando em um restaurante simples? Eu disse que sim mais não havia outra forma, eu não tinha cartão de campista e nem tenda e saco cama para ir para o camping.

E perguntei ao Bruno que sugestão ele mim dava, ele disse que naquela tarde esteve em uma loja de material de campismo que estava em saldos, e que encontrou sacos cama de excelente qualidade, sacos para temperaturas abaixo dos 5ºgraus, o que não era necessário já que estávamos no verão e a noite não estava assim tão fria, mais os preços desses sacos eram muito baixos, chegou a ponderar em comprar um, mais antes de sair de Portugal havia investido na compra de um saco e não precisava. Então eu perguntei, mais se eu for comprar um saco cama, uma tenda e for para o campismo vou acabar gastando quase o mesmo que um hotel, ele respondeu, não você não precisa comprar uma tenda nem ir para o campismo, há um local onde você poderá passar a noite sem problema so com o saco cama, e perguntei onde? Fiquei com receio dele dizer, debaixo daquela ponte!

 

 

O local era a Gare d Mont Parnasse, que durante o verão muitos jovens que estão viajando utilizando o IntePass, passam a noite, já que muitos tem trem para apanhar de madrugada ou no outro dia como era o meu caso, e que com o saco cama eu iria mim sentir no Sheraton hotel. Ok, adorei a ideia, ficamos mais um tempo trocando ideias e falando sobre vários países e chegou a hora de nos despedirmos, mais antes ele mim mostrou no mapa onde ficava essa loja, depois disso seguiu viagem e sabia que nunca mais ia ver aquele maluco, ou quem sabe, pensei o mesmo do Mário e acabei tombando com ele dentro de um avião em direção a Venezuela.

Fui a procura da loja e não foi difícil encontra-la, estava quase na hora de fechar, havia tudo o que era material para os amantes do campismo e lá estava os sacos camas que ele havia falado, havia varias cores, vários modelos, escolhi uma com uma cor esverdeada tipo equipamento do exercito, tinha 2 metros de comprimento, era grosso e bastante quente, podia mim enfiar e ficava parecendo uma múmia, e por acaso o nome do saco era justamente, saco múmia. Paguei e sai para continuar o meu passeio.

Foi interessante aquela sensação, já não tinha que mim preocupar com hotel, já estava garantida a minha dormida, embora tinha um pequeno receio de como seria, mais estava gostando da ideia, como se tratava de aventura aquilo só veio atalhar. Abri o mapa para ver qual seria a próxima parada e ai é que dei conta do erro de trajeto que havia feito, quando sai do Louvre podia ter seguido direto para a Catedral de Notridame que estava mesmo próxima, mais não havia crise, agora eu tinha tempo bastante de mim dirigi em direção a Ile de la Cité onde se encontra a Catedral.

A Catedral de Notre-Dame de Paris (ou de Nossa Senhora de Paris), considerada por Victor Hugo como o paradigma das catedrais francesas, estabeleceu o modelo ideal do templo gótico, constituindo um dos exemplos mais equilibrados e coerentes deste período. Foi erguida na Ile de la Cité, no centro do rio Sena, sobre os restos de duas antigas igrejas, por iniciativa do bispo Maurice de Sully.

À planta, inicialmente rectangular e extremamente compacta, foi acrescentado o transepto que a tornou cruciforme. Apresenta cinco naves que se prolongam pela dupla charola da profunda cabeceira.

A forma final do templo resultou de um conjunto de modificações, ampliações e restauros que abrangem uma larga diacronia. Iniciada pelo coro em 1163 (no reinado de Luís VII, tendo o Papa Alexandre III, na altura refugiado em Paris, assistido à cerimónia), só na terceira década de duzentos se terminou a nave e grande parte das torres. Por volta de 1230 iniciou-se a construção das capelas entre os contrafortes das naves e aumentou-se a dimensão do transepto. Na mesma altura o alçado poente foi alterado para melhorar a iluminação da nave central.

 

Basilica Montmartre. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Basilica Montmartre. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

 

A fachada principal apresenta o mesmo modelo da igreja de Saint-Denis, precursora da arquitectura gótica. Divide-se em três sectores por grandes contrafortes e é rematada lateralmente por duas torres de 70 metros de altura. No nível inferior tem três grandes pórticos profusamente esculpidos sobre os quais assenta a famosa galeria dos reis. Em cima, a grande rosácea é rematada por uma galeria de traçaria coroada balaustrada.

No interior, um vasto espaço com 130 metros de comprimento e 48 de largura, são ainda evidentes as ascendências românicas normandas deste edifício, denunciadas nomeadamente pelas grossas colunas das arcadas da nave e do coro. Os pilares mais recentes, localizados junto da fachada poente e estruturados por colunelos assim como as grandes janelas do clerestório e a verticalidade do espaço interior acentuam o efeito gótico. Com 35 metros de altura, a relação entre a largura e altura da nave central é de 1 para 2,75.

A França, principalmente Paris está de parabéns, essa cidade é uma explosão de história e arte que faz uma pessoa sair do seu mundo e viajar num ambiente mágico do qual gostaríamos de fazer parte, mais a vida nos reserva situações que não podemos imaginar, mais podemos criar bases para que os resultados venham a ter a nosso favor.

Agora está na hora de ir para o meu hotel estação, depois de um dia tão agitado e de tantas descobertas começo a sentir vontade de relaxar um pouco. Chegando a estação de Mont Parnasse é que fui da conta da sua dimensão, quando cheguei a Paris estava direcionado a ir para o Louvre e não reparei bem nesse mundo que é esta estação. Comecei a passear e observar o movimento, havia “Mochileiros por todo lado, Caracóis gigantes de tudo que era parte do mundo, havia rapazes que dormiam nos bancos nem se quer davam ao trabalho de arrumar um saco cama, outros utilizavam a mochila como travesseiro, se enfiavam em um canto e ali ficava, continuei a minha caminhada, sabia que ia encontrar algo de especial e encontrei, tive a minha frente uma visão fantástica que mim fez sorrir de alegria, um pouco fora da estação longe de todo aquele barulho e confusão havia uma área reservada muito bem protegida da qual havia um verdadeiro mar de sacos camas espalhados por todos os lados, de todas as cores, eram jovens de todo o mundo que optaram passar a noite naquele espaço.

Do meu lado direito havia um grupo, ou eram chineses ou japoneses, sei lá, só sei que tinham todos os olhos esticados, comiam os seus grandes sanduiches acompanhado de coca-cola, uns deitados lendo um livro, outros ouvindo musica, mais a frente havia um grupo de espanhóis, esses não bebiam coca-cola, e sim vinho, e um deles tocava musica flamenga com um violão, era uma atmosfera mesmo animada.

Um dos rapazes olhou para mim e com um gesto com os olhos que dizia mais ou menos ” coloca o seu saco ai! ” e foi o que fiz, abri o meu saco cama que cheirava a novo, pensei até que pudesse ficar mal, ia parecer um marinheiro de 1º viagem no mundo dos mochileiros, coloquei a minha mochila numa posição de encosto e fiquei observando aquela animação.

Não tardou muito e um dos espanhóis mim mostrou uma garrafa de vinho em um gesto de ” Vais um copo? ” e evidentemente aceitei para não parecer mal, apanhou um copo plástico que havia do lado dele, que aparentemente já tinha sido até usado, mais não fazia mal, a rapaziada pareciam saudáveis e limpos, e me deu o copo cheio de vinho, agradeci e comecei a bebe-lo, e o vinho parecia ser de boa qualidade, porque desceu bem.

Começamos a conversar, eles eram de Sevilha, estavam dando uma volta pela Europa, iam apanhar um trem de manhã cedo para Alemanha e depois iam tentar ir até a Rússia ” Moscou”. Era uma turma mesmo curtida, o vinho terminou rápido evidentemente, e um dele foi comprar uma outra garrafa.

Disse-lhes que morava em Portugal, mais era brasileiro, um deles me disse que um dos sonhos dele era ir visitar o Brasil, Rio de Janeiro, costumava assistir todos os anos o carnaval do Rio e achava as mulheres brasileira incrivelmente belas, e eu disse o mesmo das espanholas, havia duas garotas espanholas com eles, uma parecia muito triste, pelo que fiquei sabendo havia rompido com o namorado antes da viagem, mais depois começou a alinhar no vinho e foi ficando mais animada, por fim mim vi na obrigação de ir buscar mais uma garrafa, e foi o que fiz.

Quando voltei já trazia 2 garrafas, fizeram a maior festa, eu nunca vou esquecer aqueles momentos com aquela rapaziada, todos jovens com os seus 20, 25 anos, todos querendo viajar e conhecer o mundo, ali não havia nenhum sentimento negativo, nenhuma pretensão nenhum acto de egoísmo, estávamos todos querendo se diverti. Entramos toda a noite bebendo e jogando conversa fora, e cada vez ia um buscar uma nova garrafa.

Quando a noite foi caindo e o cansaço batendo, cada vez mais surgia o silencio naquela área, como eles iam apanhar o comboio pela manhã cedo nos despedimos e desejamos boa viagem, as duas meninas já tinham apagado dentro dos sacos delas, e resolvi mim enfiar no meu assim como o resto da rapaziada, passado algumas horas todos já dormiam, ouvias se apenas o som dos microfones da estação anunciando a a saída ou chegada de um comboio, depois chegou um ponto que já não ouvia nada e quando abri os olhos já era de manhã, dormi feito uma pedra, quando acordei olhei para o lado os meus amigos espanhóis já lá não estavam, um deles tinha riscado em uma folha de papel a frase “Brasil bon voyage”. Levantei-me, arrumei o meu saco cama e fui ao sanitário escovar os dentes e lavar o rosto, pelo visto o vinho era mesmo bom porque acordei inteirinho.

 

 

 

Agora vou para a minha última visita que deixei reservado para a Montmartre, uma das maiores concentrações de artistas por metro quadrado da Europa e provavelmente do mundo. Apanhei o metro e lá vou eu.

No alto da Montmartre encontrasse a Basílica do Sagrado Coração que em francês fica mais chique dizer Basílica de Sacré Cœur, é uma Basílica fantastica toda construida em marmore, para chegar a Monmartre não é nada complicado, aliás se deslocar em Paris não é nada complicado a cidade é dividida por linhas de metro por todo o lado só bastava apanhar o metro até a estação de Pigalle e depois e andando até a basílica.

Imaginar a vida boémia que possuíam, a convivência diária com as artes, com pessoas gozando do mesmo pensamento, da mesma sensibilidade relacionada as arte, e ai me veio uma coisa a cabeça. Temos o habito de ter uma visão muito romântica das coisas, que as vezes não são taõ reais assim, quando falamos desses grandes artistas, dos encontros no Moulin rouge.

O Moulin Rouge para quem não sabe era um cabaré construído naquela altura, e que era uma moda em Paris, onde podia assistir aos espectáculos que lá se realizavam com a famosa dança do cancã, dança essa em que as bailarinas levantavam as pernas para o ar deixando a mostra a roupa interior, tentava os empresários dono do cabaré com esse tipo de espetaculo atrair a fina sociedade parisiense pra o Molulin Rouge que significa Moinho vermelho.

A área de Montmartre era considerada na altura como um local de bêbados e prostitutas, e era realmente, a forma de vida liberal e extrovertida dos artistas possibilitam a criação de ambientes assim. Quando me referi a visão muito romântica que fazemos sobre determinada situação ou historia como dos artistas em França naquele século, é que me interroguei de qual seria a diferença da vida dos artistas que conheci em Lisboa, ou seja um ambiente de drogas, prostitutas e ladrões, portanto a conclusão que cheguei é que tudo depende da maneira que olhamos para as coisas que nos rodeia, ter uma visão critica, discriminatória, ofendida, desprezada ou uma visão positiva, com espírito cultural e informativo, porque essa é a visão que o mundo tem dos artistas franceses daquela época do Molin Rouge, com as suas bailarinas com a dança do cancã, que comparado hoje em dia é nada mais nada menos que um clube cheio de prostitutas dançando, e frequentada por muitos bêbados e pessoas com sérios problemas existenciais, que diferença teria do mundo dos artistas que encontrei ao chegar a Lisboa.

Na verdade a vida que eu levava no meio daqueles artistas da baixa, poderia ser exatamente igual a que os artistas afranceses levavam quando frequentavam as ruas naquele tempo e curtiam as sua noitadas no Moulin Rouge, portanto a vida pode se resumir dentro de uma visão positiva, não como a vivemos e sim como a sentimos, podemos transformar qualquer situação trágica e infeliz que era a vida dos artistas que encontrei ao chegar em Lisboa, uma vida agarrada em drogas, mentiras e bebidas, transformar em algo romântico e lirico assim como se faz com as historia do Moulin Rouge e da vida dos artistas na Monmartre. Pode parecer um certo ato renegado da minha parte, mais no fundo sei que no meio daqueles bêbados todos do Moulin Rouge, daqueles artistas da Monmarte, existim no meio deles pessoas com o mesmo espírito que eu, pessoas que levavam a vida de forma controlada sem exageros destrutivos e amava a arte usufruindo de tudo que a de positivo nela. Portanto vejo mais o Moulin Rouge a Monmartre por esse prisma mais equilibrado e não pelas loucuras esquizofrénicas de muitos artistas famosos daquela época.

Realmente era paisagem deslumbrante, artistas trabalhando de vários lados, muitos usando aquelas típicas vestimenta atribuídas aos artistas, tais como, uma Boina, pincéis enfiados nos grandes bolsos das suas grandes batas, toda marcadas por tintas em diversos tons, um cachimbo pendurado na boca, e um ar sereno e concentrado, realmente há uma diferença muito grande com relação aos artistas portugueses, aqui ha mais profissionalismo, embora tenho certeza que há muitos dependentes de drogas e que vem aqui procurar ganhar dinheiro para manter o vicio.

Mais a grande quantidade de artista e uma grande concorrência, embora haja milhares de turistas chegando e saindo, isso obriga a maioria dos artistas manterem um padrão mais profissional para assim conseguir a confiança dos turistas.

Me vejo em uma grande tentação para encontrar um espaço, sentar, puxar o meu material e começar a pintar e vender pela 1º vez

um trabalho meu em Paris. Com relação ao material, trouxe de Portugal um caderno de desenho tamanho A3, algumas pequenas aquarelas de Lisboa e uma caixa de aquarelas de 12 cores, lápis borracha e X-ato, tudo isso já era o suficiente para trabalhar e ganhar algum dinheiro. Pois não aguentei a tentação, no meio de todo aquele concentrado de artista, foquei um pequeno espaço próximo a uma caixa de correio, me dirigi até lá sentei no chão, como não havia levado uma cadeira, mais contava se caso ganhasse algum dinheiro iria correndo comprar uma, portanto naquele momento teria que ser improvisado.

Coloquei no chão uma folha de embrulho, castanho escuro chamado papel craft, de mais ou manos 1 metro quadrado, e sobre a folha coloquei 3 aquarelas de Lisboa e uma de um típico barco pesqueiro do algarve, a minha ideia era que algum turista confundisse a imagem de Lisboa como se fosse alguma rua de Paris, e com relação aos barcos poderiam se passar por barcos pesqueiros tipicamente franceses, evidente que só quem percebe muito bem de barcos de pescas é que conseguiria perceber a diferença caso contrário ia assim mesmo. Sei que não era uma acto muito honesto da minha parte, mais naquela altura era muito novo, era um jovem buscando viver da arte em Paris, e portanto não achava que por causa daquele comportamento fosse está cometendo algum crime.

Os turistas iam passando e olhavam os trabalhos, alguns faziam comentários um com o outro em francês, eu não percebia nada apenas dava um ligeiro sorriso o qual era correspondido de imediato, estava começando a apanhar o ritmo quando de repente 2 policias se aproximaram de mim, e perguntaram-me em francês alguma coisa que não percebi mais já imaginava, eles depois tentaram em inglês assim ficando bem mais claro o que eles queriam, queriam ver a minha autorização emitida pela câmara de Paris para está expondo e vendendo os meus trabalhos naquele espaço.

Procurei explicar com o meu inglês enferrujado, que havia acabado de chegar e só pensava em ficar algumas horas porque a tarde iria deixar Paris. Com um ar muito simpático disse-me que não poderia está ale vendendo sem autorização e portanto tinha que tirar o material, porque assim faltaria com respeito aos outros artistas que tem as suas documentações em ordem. Concordei evidentemente, não havia outra alternativa, portanto tive que tirar o material, não pensava em usar o sistema que usava em Portugal, que era deixar os policiais irem embora, voltar a colocar em um outro lugar, e ficar atento enquanto vendo para a possível chegada deles, podendo retirar assim que detectasse a aproximação. Não, sabia que não seria possível, porque deduzi que a visita deles de repente em um lugar com tanto movimento, foi nada mais nada menos, resultado de uma chamada efectuada por um dos artistas que não aceitam a aproximação de outros artistas sem autorização, e pelo fato de essa autorização pelo que fiquei sabendo, ser praticamente impossível, naquela área, era extremamente controlada e uma autorização dessa natureza era muito difícil já que a câmara havia suspenso a entrega de licenças.

Fiquei sabendo disso depois de puxar uma conversa com um dos artistas que se encontrava na praça, e mim aconselhou a ir para o Trocadero ou até mesmo a beira do Sena próximo a Torre Eiffel, disse-me que lá já não haveria problemas.

Bem, não era o meu propósito chegar em Paris para trabalhar de imediato como havia dito antes, apenas foi a tentação de expor na Montmatre e ver se conseguia estrear pela 1º vez.

Desci a MonMartre e fui conhecer de perto o famoso Moinho Vermelho ” O Moulin Rouge ” Realmente muito bonito, uma atmosfera interessante está em um lugar daquele.

Bem, estava na hora de deixar Paris, sabia que ia sentir saudades daquele lugar, mais tinha certeza que voltaria mais vezes, e quem sabe um dia passava a morar aqui. Fui apanhar o metro para MontParnasse e retornar a Portugal. Portugal ai vou eu!