Lisboa encontro com o Fernando. PARTE 10º


 

Lisboa. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Lisboa. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Lisboa, encontro com o Fernando. PARTE 10º

 

Chego a Lisboa Lisboa completamente moído da viagem, mais com uma sensação de missão cumprida, missão essa já a muito planeada e que foi muito bem executada embora o dinheiro que deixei de parte para a viagem não fosse muito, mais consegui visitar e conhecer os vários lugares que já viviam no meu imaginário.

No outro dia chego a Praça da figueira onde o Patricy costumava ficar quando tinha preguiça de subir para o Castelo e não o encontrei, provavelmente amanheceu com mais disposição e foi para o Castelo vender.

Encontrei o doido do Fernando e acabamos por ir tomar um copo, ou melhor, eu tomar um copo e o Fernando um sumol já que ele não bebia álcool, pelo menos por enquanto até conhecer uma maluca sueca que o pois no caminho da bebedeira.

 

 

O Fernando muito contente disse-me que encontrou uma discoteca africana que nos fins de semana ficava lotada de gringas, ou seja mulheres vinda do norte da Europa e elas adoravam homens de cor escura, e como o Fernando era negro, aquele era o ambiente perfeito para ele.

O Fernando não tinha muita sorte com as portuguesas, dizia que eram muito racistas e eu sei bem disso porque já havia presenciado situações bem desagradáveis nesse aspecto e sabia que o que ele estava dizendo era real. Quando não era a portuguesa racista, essa péssima qualidade ficava para os país dela, conheci muitos brasileiros de cor escura que tinha o maior problema com a família da garota, quando descobriam que ela estava namorando um imigrante brasileiro que além disso era de descendência negra a coisa complicava.

Passei eu mesmo por diversas situações semelhante embora seja moreno mais não ficava atrás desse tipo de discriminação. As vezes quando não era a família que criticava a filha por está andando com um negro passava essa triste característica para os próprios amigos dela e amigas.

O Fernando trabalhava na construção e sentia de forma muito forte esse tipo de discriminação, quando se tratava de algum trabalho menos desejável, os portugueses diziam sempre. Manda o preto! Lembro-me do Fernando mim contar que as vezes estava dentro da carrinha com os colegas portugueses indo para o trabalho e quando passava um africano, eles gritavam do carro, volta para sua terra preto! Com o Fernando ao lado deles e eles nem se incomodavam. É curioso um país que teve como colónia durante vários anos, roubando e explorando um povo, que naquela altura para a realidade que se vivia era considerado normal, infelizmente tenham uma relação tão discriminatória com os africanos.

 

Uma frase que houve-se frequentemente dita pelos português que procuram criar a ideia de que não são racista é: Não sou racista, só não quero a minha filha namorando um preto!

Ouvi esse tipo de justificativa muitas vezes e infelizmente tínhamos que conviver com uma cultura com essa mentalidade, e assim era a vida de um imigrante negro em Portugal. Achava curioso e estúpido as vezes na televisão comentando esse tipo de assunto no qual os apresentadores e entrevistados que geralmente eram pessoas famosas diziam com toda convicção que Portugal não era um país racista, eu achava isso uma prova de estupidez enorme, porque só quem pode responder a essa pergunta é um imigrante negro, e não uma pessoa famosa que é tratada com a maior atenção pelos portugueses quando as encontram na rua e enche-as de carinhos e mimos, mais meus amigos, os imigrantes africanos que vem trabalhar em Portugal não são tratados assim de maneira nenhuma, acreditem! Bem mais a frente irei contar para vocês uma situação que passei quando fui morar em Coimbra e conheci uma garota a qual começamos um relacionamento sério.

 

O resultado foi uma guerra declarada por parte da família que alegava que eu não fazia parte do extracto social da mesma, o curioso de tudo é que o extracto social dessa família era bem pequeno, extracto esse que no que se referia a educação, princípios e inteligência era zero, não passavam de pessoas com um nível de instrução muito pequeno, vindo de uma aldeia, que no virar da boa situação económica portuguesa, conseguiram algum equilíbrio financeiro, que o faziam a acreditar que eram pessoas de alta classe social. O que eu achava engraçado em tudo isso, e até hoje acho, é que há pessoas que podem não ter dinheiro, podem não serem ricas, mais avaliando pelo aspecto físico, postura, educação, atitude e maneira de ser, podemos as vezes avaliar de forma contrária acreditando que se trata de uma pessoa rica e bem informada. Mais no caso de muitos portugueses que

conheci que tinham alguma dinheiro, principalmente a família dessa garota, se fosse levar em conta o aspecto que acabei de evidenciar, imediatamente seriam classificadas como pessoas vindas da roça, verdadeiros “ labregos” como se diz em Portugal, e no Brasil chamamos “Caipira”  Porque por mais dinheiro que tenham, parece que a natureza estampou na testa o ar de roceiros e caipira da qual o dinheiro não consegue apagar e aparentam na sua maneira de ser um ar de roceirão no seu lado mais negativo de ser, porque há muitos labregos ou caipira que tem educação, mais essa família simplesmente não sabia o que era isso, e mim espantava na garota que conheci, viver em um meio como este e ser totalmente diferente da família, era extremamente educada, gentil e sensível, e atitudes negativas como discriminação não fazia de jeito nenhum parte da sua natureza.

 

 

Alguns defensores poderiam alegar que atitudes dessas por parte da família era derivado ao amor e preocupação para o sua filha, e que justificaria esse tipo de comportamento. Esse tipo de argumento só serve para provar de forma mais clara e evidente a falta de inteligência que acabei de citar anteriormente, porque pessoas inteligente não agiriam dessa forma, pelo fato de ser a forma mais estúpida e ineficaz que só irá criará uma união de forças por parte do casal para enfrentar a opressão da família e consequentemente resultará em atitudes precipitadas como na maioria das vezes. Deixamos mais para frente essa historia e vocês ficaram espantados com a quantidade de actos simplesmente inacreditáveis.

Bem voltando para o Fernando combinamos a noite damos um pulo

a essa discoteca que chamava-se, Hits. Depois de conversarmos fui para o Castelo e lá encontrei o Patricy que como sempre sorrindo e cantando as músicas francesas que ele gostava. Contei-lhe toda a minha aventura em Roma e como foi interessante os momento que tive com uma alemansinha em em Firenze, perguntei se ele percebia um pouco de alemão para traduzir a carta que ela havia mim dado, mais ele não sabia nada em alemão, a não ser as frases básicas que costumamos aprender quando nos interessamos em um idioma.

Fomos almoçar no restaurante da abelhinha, nesse dia as vendas não correram tão bem, mais não fazia diferença sabíamos que podia ser mal um dia mais no outro compensávamos.

A noite depois de jantar fui ter com o Fernando que estava empolgadíssimo para ir ao Hits e foi o que acabamos por fazer por volta das 11 horas da noite. Ao chegarmos a porta do Hits já nos deparamos com uma grande briga entre 2 africanos por causa de uma alemã, então percebi que aquele lugar realmente era um ponto de caça, os angolanos todos já conheciam e lá o que mais se via eram africanos e garotas dos países nórdicos que gostavam de uma pelezinha escura, e lá fomos nós para a festa.

 

Confesso que não gostei nada do lugar, a maioria das estrangeiras tinham cada pancada naquelas cabeças e a droga era o prato do dia, muitas se envolviam com agente só para ter acesso a drogas, e essa não era a minha praia, resolvi ir embora e deixei o Fernando em companhia de outros brasileiros que haviam acabado de chegar.

No outro dia encontro o Fernando na rua Augusta todo feliz que tinha conhecido uma sueca muito bonita e que ela o convidou para ir ao Algarve passar um fim de semana na casa que a mãe dela tinha em Boliqueime, e o Fernando queria que eu fosse junto. Ok, disse para ele, só que poderei ir só a semana que vem, preciso recuperar o dinheiro que gastei na viagem que fiz a Itália, e assim foi, quando chegou o fim de semana, chamei o ernane e descemos para o Algarve.

Chegando lá encontramos o Fernando e fomos para a casa da mãe dela em Boliqueime. A casa era muito curtida, era afastada da praia mais tinha uma excelente piscina e passávamos o dia inteiro esticado apanhando banho de sol e bebendo caipirinhas, quanto a sueca namorada do Fernando, era uma completa maluca, bebia feito uma desequilibrada, chegou a confessar que nunca bebia agua, era muito difícil, para conseguir beber teria que ter pelo o menos a metade do copo com vinho e assim a agua tinha um melhor sabor.

O nome dela era Eurica, está escrito em Português porque não sei como se escreve em sueco. Foi um fim de semana muito louco, quando deixamos o Algarve eu e o Ernane, o Fernado ficou morando por lá com a doida da Eurica. Passado umas boas semanas encontrei o Fernando em Lisboa que mim contou as aventuras com a doida da sueca. O Fernando era muito doido também, mim recordo dele mim contar que as vezes quando chegava a casa da Eurica, costumava passar uma vassoura por baixo da cama e abria todos os armários. A principio não percebi bem, só depois é que entendi que a Eurica era doida por africanos e quanto mais escuro melhor e como estava

constantemente com os copos ele tinha receio dela levar um africano para casa, por isso é que ele passava a vassoura por baixo da cama e abria os armários era para ver se encontrava um africano. Era uma vida de doidos, mais acho que a solidão é que levava o meu amigo Fernando a viver em um ambiente assim.

 

Holanda, Amsterdão. Eu e o Fernando, isso bem a frente.

Holanda, Amsterdão. Eu e o Fernando, isso bem a frente.

Ele foi morar com ela na Costa da Caparica que fica do outro lado do rio Tejo, e mim contou como foi que terminou o relacionamento com a Eurica.

Um dia estava em casa quando a Eurica disse que estava para chegar uns amigos e amigas suecas para lhe fazer uma visita,  o Fernando muito hospitaleiro se preocupou em ir comprar algumas bebidas como não poderia faltar, álcool era uma coisa que jamais estaria ausente onde se encontrasse a Eurica portanto o Fernando foi providenciar.

A noite chegaram os amigos suecos que se tratava de uma casal muito simpático e educados o que costuma ser natural nesse povo, mais as vezes possuem uma forma de vida bem diferente.

O Fernando precisou sair para ir encontrar um amigo para falar a respeito de um trabalho, só que acabou por chegar muito cedo, e ao entrar em casa não encontrou a Eurica e o casal, então resolveu ir ao quarto quando teve uma enorme surpresa, estava a Eurica transando com a amiga sueca na cama, ele tomou um susto enorme e começou a discutir com a Eurica.

Eu ri tanto com essa historia que só faltei chorar, e perguntei para ele o que ele esperava de uma pessoa como aquela, com tais atitudes e dependência ao álcool, só deixava claro que tinha muitos problemas a nível psicológico, mais não é que eu fosse contra,

O que disse para ele é que se estivesse no lugar dele aproveitava as duas, mais ele não gostou nada de ouvir, ele gostava mesmo daquela maluca mais teve a inteligência de sair fora enquanto estava vivo. Continuou frequentando o Hits a procura da sua princesa e acabou por encontrar, chamava-se Marenca, uma garota muito simpática e equilibrada, era o total oposto da Eurica e fiquei muito feliz com o Fernando, o sonho dele era casar na Europa com uma estrangeira e ir morar bem longe de Portugal já que aqui ele era constantemente discriminado e não gostava nada disso, afinal quem é que gosta!

 

A Marenca era holandesa, e passado as férias em Portugal retornou a Holanda mais sempre em contacto com o Fernando, ele dizia sempre para mim; “Miguinho, ainda vou morar na Holanda e vou ter muitos filhinhos holandeses, mais não vou querer que eles aprendam a falar português” O meu amigo Fernando sofreu muito em Portugal e eu a torcia que tudo desse certo para ele, e que realizasse os seus sonhos, ele era um bom rapaz, honesto e incapaz de fazer mal a alguém, acho que de todos que conheci o Fernando foi a única pessoa realmente equilibrada, por isso eu tinha certeza que ele iria ser feliz.

 

Passado alguns meses estava o Fernando indo morar na Holanda, a Mareca providenciou toda a papelada no goveno holandes para que ele pudesse morar e trabalhar na Holanda, e lá foi o meu amigo, e disse para ele preparar tudo por lá que em breve eu estaria chegando para lhe fazer uma visita.

O Patricy tinha recebido um dinheiro que a mãe enviou, e mim de Paris para ele convidou para ir visita-la com ele em Paris, aceitei de imediato evidente, tinha já ganho um bom dinheiro e estava preparado para outra aventura. Apanhamos comboio e fomos para Paris.

Quando cheguei a Paris não imaginava que o retorno seria tão rápido, apanhamos o metro e fomos para casa da mãe dele, o Patricy estava muito feliz, sentia que ele tinha saudades de Paris, afinal viveu lá toda a sua vida. Ao chegarmos a casa da mãe dele, fiquei realmente impressionado, ele tinha uma excelente vida em Paris, pelo menos a casa da mãe era muito bem localizada e apresentava um bom nível de vida, da janela da casa da mãe dele tinha a frente a torre Eiffel portanto imaginem a qualidade da mesma. Eu estava curioso para conhecer a mãe dele, mais ela não estava em Paris.

Ela já não trabalhava evidentemente, tinha por volta dos seus 65 a 70 anos, era reformada e estava em uma cidade da Normandia descansando e passando um tempo. Deixou o contacto dela com a irmã do Patricy que acabei por conhece-la, era muito parecida com ele, fumava feito uma louca e era muito magra.

 

Normandia. França. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Normandia. França. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Ela apanhou o carro e arrancamos para Normandia para uma cidade chamada, Bagnoles-de-l´Orne. Foi uma viagem interessante passávamos por vária pequenas cidades Francesas, tínhamos paisagens magnificas, eu estava adorando aquela aventura, o que mim assustava mais era o fato da irmã do Patricy não parar de fumar e tinha crises de tosse o tempo inteiro, e o problema maior é que gostava de andar rápido com o carro, era uma acelera de primeira e diante daquelas crises de tosse, tinha o receio que ela perdesse o controle do carro, ai acabava as minhas aventuras e eu ainda tinha muitas pela frente.

Bagnoles-de-l´Orne era um sonho de cidade, agora percebia o que a mãe do Patricy foi fazer a essa cidade. A cidade é famosa pelas suas termas Hydrotherapicas, que era conhecidíssima pelo os seus poderes de cura, para problemas reumáticos, ginecológicos e circulatórios. As origens da atividade térmicas diziam que remontava á idade média. Conta a historia que um senhor na idade média deixou o seu cavalo que estava moribundo, para morrer na floresta e seguiu viagem. Passado alguns dias o cavalo aparece na casa desse senhor que ficava muito longe, totalmente restabelecido e saudável, vindo depois o cavaleiro descobri que foram as aguas de Bagnoles que o salvou e ele acabou por beber também dessa agua tendo como resultado um enorme rejuvenescimento. Uma cidade especular, um luxo e uma qualidade de vida que eu nunca tinha visto.

 

Passamos uns 3 dias hospedados em um hotel que mais parecia um palácio, com tudo pago pela a mãe do Patricy, ela se simpatizou muito comigo e na hora dos almoços e jantares ela fazia questão que eu mim sentasse ao lado dela. Eu mim sentia uma verdadeira estrela naquele lugar, eu era o único estrangeiro de pele morena naquela cidade e pelo visto eles não estavam acostumados a ver e onde eu chegava tinha uma recepção extremamente agradável, quando eu passava enfrente a uma loja, as pessoas saiam para mim observar, sem levar em conta que uma das donas do hotel em que estávamos hospedado não parava de se meter comigo a ponto da mãe do Patricy ter percebido. Ela era um mulherão com os seu 40 a 45 anos, eu só tinha na época uns 24 anos e ela não estava muito incomodada com isso. O patricy chegou a mim dizer que o meu futuro estaria garantido com ela e que eu só precisa deixar a coisa correr, pensei no assunto era interessante a ideia mais eu não queria terminar por ali, havia ainda muitas coisas para fazer, muitas aventuras a minha espera e eu não queria acabar vivendo com uma mulher que tinha quase o dobro da minha idade e eu iria acabar sendo empregado dela no hotel, se bem que hoje já com a idade que tenho já vejo a coisa de forma diferente, quando mim lembro daquele mulherão. Deixei a coisa rolar só para encher o meu ego, mais depois de passado 3 dias mim despedi dela e retornamos a Portugal.

 

Normandia. França. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Normandia. França. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

 

Depois de tantas aventuras resolvi mim dedicar mais ao trabalho e procurar juntar mais algum dinheiro. Comecei a explorar os retratos resultado da ida a Ibiza e ter conhecido aqueles trabalhos fantásticos feitos pelos artistas que viviam lá durante o verão. Comecei a praticar, nunca esqueço o meu primeiro retrato, foi do actor americano Robert Mitchum que depois de o fazer, fui mostrar as pessoas e perguntar se sabiam quem era, essa é a atitude típica de quem começa a desenhar retratos, e todas as pessoas em eu mostrava diziam sempre, é o Robert Mitchum! Era o incentivo que eu esperava, a partir dai não parei mais, comecei a desenhar retratos e deixei de lado as aquarelas.

Quando Havia apanhado o jeito com os retratos, trabalho não mim faltava, tive que comprar uma agenda para anotar as encomendas, era incrível, eu tinha a agenda cheia por 1 a 2 meses colocando uma média de 2 retratos por dia, eu ganhava tanto dinheiro que nem acreditava, tive a oportunidade de arrumar a minha vida se tivesse sido mais esperto, mais a minha sede de aventuras mim proibia.

Comprei um carrão na altura, era um Fiat Brava que tinha sido lançado recentemente, todo equipado, mandei instalar um sistema que na altura era novidade em Portugal e que era muito comum na Europa chamado GPL, é um equipamento controlado e aprovado pela Europa para o uso de gás como combustível, a economia era maior do que um carro a gasóleo, ou melhor, diesel, já com o objectivo de sair pela Europa a fora com ela.

 

O meu carro e a minha autocaravana.

O meu carro e a minha autocaravana.

Deixei Lisboa e fui para uma cidade que fica a norte de Portugal chamada Braga, fui encontrar com o Roberto que havia mim dito que era um excelente lugar para viver e as pessoas eram muito simpáticas e eu estava afim de ir fazer retratos por lá, estava meio cansado de Lisboa e aquele bichinho dentro de mim que mim obrigava sempre a mudar em busca de aventuras.

Chegando lá aluguei um quarto na casa de uma senhora muito simpática e assanhada, tinha os seus 35 a 40 anos e só mim chamava de jóia, passei a morar na casa dela e ia todas as manhãs para a rua principal de Braga desenhar retratos, de imediato já minha via cheio de encomendas. Braga era uma cidade muito simpática e as pessoas como são do norte são completamente diferentes de Lisboa, são mais comunicativas e alegres e um detalhe que percebi ao chegar no norte de Portugal, é como o povo dessa região gosta de dizer palavrões, em cada frase dita por um nortenho vai sempre um palavrão no meio, é sem maldade, é simplesmente a maneira deles falarem e quem é português sabe dessa característica e isso os torna muito abertos e despachados.

De imediato para mim adaptar melhor comecei um relacionamento com uma garota da qual os país já queriam mim matar, não aceitavam a filhinha rica namorando um artista de rua e além disso brasileiro. É como tinha falado antes a respeito da descriminação e falta de respeito dos portugueses que tem dinheiro e acham que quem não tem não vale nada e consideram-nos simplesmente marginais. Foram assim em praticamente todas as relações que tive em Portugal, no Brasil nunca tinha conhecido esse tipo de comportamento mais em Portugal muitos foram as famílias que queriam mim ver morto. Mais olha, ia levando assim mesmo.

França Renne

 

 

 

Conheci um casal de brasileiros que vendiam artesanatos na mesma rua que eu e nos identificamos de imediato, trabalhávamos juntos todos os dias e nos divertíamos muito, a garota tinha uma filha que morava na França em Renne, e como não poderia deixar de ser acabamos por combinar uma viagem até lá para tentarmos fazer negócio e passearmos um pouco. Bem não vou contar em detalhes a viagem senão nunca acabo esse livro e estou sendo obrigado a deixar para trás muita coisa, caso contrário esse livro iria ter mais de 1000 paginas e não quero cansar vocês com tanta aventuras.

O que posso dizer em resumo é que acabamos indo para Rene, acabei retornando a Normandia, ficamos lá umas 2 semanas, fomos visitar locais paradisíacos tipo Mont saint Michel. O Mont-Saint-Michel é uma ilhota rochosa, na foz do rio Couesnon, costa da Normandia. Centro turístico e um santuário onde fica uma abadia beneditina, em estilo gótico (séc. XII-XVI). Desde 1979, é um Patrimônio da Humanidade na lista da Unesco, um local completamente louco de uma beleza fulminante.

 

Normandia. França. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

Normandia. França. A história de um imigrante brasileiro na Europa.

As primeiras imagens que vi daquele lugar foi em um calendário da air france há muitos anos atrás quando ainda era criança, aquela fortaleza medieval que se encontrava no meio da agua completamente inacessível mim fascinava, se vocês não conhecem ou nunca ouviram falar, procurem se informar e certeza que ficaram fascinado assim como um fiquei.

Depois de vasculhar toda aquela área e sentir que já estava na hora de voltar para Portugal, o aviso surgia sempre do meu bolso quando começava a ficar vazio e mim lembrava que estava na hora de dizer adeus aquele paraíso e voltar para a terrinha do bacalhau.

O casal de amigos queriam que eu ficasse mais um pouco, eles tinham preparado muito material para vender as lojas em Renne, mais não conseguiram fazer negocio algum, eu nem se quer procurei trabalhar, como vocês já devem mim conhecer um pouco, eu só queria curtir.

Eles estavam mais teso do que eu, e achavam que se eu ficasse mais um pouco poderíamos fazer bons negócios, mais eu não queria arriscar, não queria mim encontrar em uma situação sem dinheiro e dependendo de alguém, coisa que já estava acontecendo com eles e eu não queria arriscar, portanto os chamei mais eles disseram que ficariam na casa da filha da garota que estava com agente e só voltariam a Portugal depois de vender as coisas que haviam levado.

Resultado, voltei a Braga e comecei de novo o trabalho na rua Direita, passado algumas semanas eles apareceram mais pelo visto a coisa correu bem mal e conseguiram chegar só Deus sabe como.

 

 

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