Portugal Concentração Motards. Parte 15

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Portugal. Concentrações motard. PARTE 15 FINAL.

Para iniciar a história, acesse a parte 01 no fim da página.

PARA COMEÇAR DO INICIO ENTRE AQUI! PARTE 01

Todos os anos em Portugal e Europa há enormes concentrações de motos, um ambiente de muita alegria e doideiras e eu estava curtindo muito essa nova vida. Essa paixão pelas motos já era antiga, mesmo antes de deixar o Brasil. Houve um período em que comprava e revendia motos mais eram todas de baixa cilindrada e da categoria cross todo terreno, muito diferente das que passei a utilizar aqui na Europa. As motos de altas cilindradas no Brasil eram muito caras e eu não tinha hipótese de fazer um investimento tão alto, enquanto aqui conseguia ganhar o bastante para manter determinados luxos. Conheci um brasileiro que era o Arnaldo, era imigrante vindo do sul do Brasil, que também se lançou nessas aventuras, comprou uma moto e saiamos acelerando estrada a fora em busca de aventuras e festas. Há em Portugal uma das consideradas maiores concentrações de motards da Europa, é realizada na ilha de Faro todos os anos no período de Julho, descem motards de toda parte da Europa, muitos vem mesmo de motos, aqueles mais aventureiros, outros vem de avião e despacham as motos por comboio ou avião, esses costumamos dizer que são imitações de motards.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Nessa concentração encontra-se pessoas, ou melhor, motads de todas as idades, desde os 10 aos 100 anos, é um ambiente de total descontração. É agradável ver aquelas senhoras com os seu 50 a 60 anos todas tatuadas em cima de grandes motões deixando bem claro nas suas tatuagens e maneira de ser, que tiveram uma juventude carregada de emoções e alegrias e que mesmo depois de se encontrar com uma idade avançada não perderam essa necessidade de ser feliz.

Mais atenção, essas pessoas que me refiro na maioria dos casos são estrangeiras, inglesas, alemães, holandesas. As portuguesas não são assim tão aventureiras, quando muito encontram-se em casa fazendo croché, ou nos cafés falando da vida dos outros e trocando receitas de remédios para as suas intermináveis doenças. Mais as estrangeiras curtem a vida e motos como se tivessem 18 anos. Um ambiente que só estando lá para perceber bem o que quero dizer.

São 4 dias de festas com concertos e grandes bandas que são convidadas para tocar, temos toda a espécie de atracções dentro do recinto, enormes feiras vendendo tudo que há de equipamentos para motards, é um verdadeiro mar de tendas montadas de todas as cores e nacionalidades, quando chegamos na quinta ainda está tudo muito vazio por se tratar do 1º dia e ai conseguimos montar a nossa tenda sem problemas, mais quando chega o sábado é muito comum passamos um bom tempo

tentando encontrar as nossas tendas naquele mundo de tendas e motos por todo lado. A noite os concertos vão a noite dentro com muitas bebedeiras e festas, a poeira criada no ar pelas potentes motos nos cobre por completo chegando ao ponto de não mais incomodar e já fazer parte da pele, é de louco aquela festa, depois ainda temos a praia de Faro que também fica completamente lotada de motos e turistas disputando mesas nos bares e espaços na praia para apanhar um bronze. A temperatura costuma ser quente nessa altura e faz-nos lembrar o nosso país.

Se você nunca teve a sorte nem a oportunidade de ir a um lugar desse, experiente, certeza que vai se apaixonar com esse ambiente, torna-se banal situações que embora perigosa mais é feita com a maior naturalidade por nós motards dentro de uma determinada e hipotética segurança e experiência que é voar acima dos 300km/h em cima dessas maquinas, evidentemente infringindo todas as regras de transito existentes nas auto estradas, mais quem não o faz?

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Revolta-me aqueles moralistas recalcados que condenam aqueles que excedem o limita de velocidade e compram carros potentes e caros deixando entender que é para manter os 120km/h permitidos nas auto estradas. Pura mentira. Acredito que mais de 90/% dessas pessoas em Portugal que possuem os seus potentes automóveis que na maioria das vezes é para alimentar uma disputa de vaidade com os seus vizinhos, não respeitam os limites estabelecidos e são esses que condenarem os motards quando passamos voando em cima das nossas paixões e fazemos os automóveis deles que custaram tão caro parecerem carroças.

Se é para cumprir os limites de velocidade estabelecido deveria sim o próprio governo deixar de hipocrisia e falsidades e proibir a venda de motos e automóveis velozes e esses mesmos carros e motos saíssem das fabricas com as suas prestações em termo de velocidade, controladas e limitadas. Resultado, muitos não se interessariam mais em comprar carros e motos caras quando as mesmas iriam ter o mesmo desempenho de um simples carocha, sendo assim não geraria receitas e não interessaria a esses governos hipócritas, portanto não o fazem. É como permitir a venda de drogas para aumentar as receitas do estado e querer obrigar as pessoas a usarem só o que eles estabelecem. É uma sociedade de fingidos e hipócritas, pois se permitem que vendam motos que passam dos 300 km/h para aumentarem as receitas e ganharem mais com os impostos de circulação que são mais caros que muitos carros, então aguentem com o barulho das nossas meninas quando passamos por vocês criando um vácuo que abana até as vossas consciências.

Eu e o Arnaldo passamos momentos simplesmente loucos nessas aventuras, conhecíamos motads com imenso senso de aventura. É um ambiente muito fácil de fazer amigos, recordo-me uma vez estávamos parados em um semáforo e de repente para ao nosso lado um motard com a sua maquina, a partir desse momento só bastou um elogio a moto do outro para que surgisse um convite para tomarmos um copo e de repente dai surgiu uma nova amizade.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

É um meio muito unido, é impossível um motard ficar muito tempo parado com a sua moto na estrada sem parar outros perguntando se está tudo em ordem, é uma verdadeira legião de amantes das 2 rodas, como diz a letra da música do AC DC Highway to hell:

“ Estou na auto-estrada para o inferno

Sem sinais de “pare”, limites de velocidade

Ninguém vai me fazer reduzir a velocidade

Como uma roda, vou rodar

Ninguém mais vai mexer comigo

Ei Satã, paguei meus pecados

Tocando em uma banda de rock

Ei mamãe, olhe para mim

Estou no caminho para a terra prometida.”

Quem não conhece essa música só basta ir a uma concentração de motards.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

É um ambiente mágico de muita animação e companheirismo ao contrário de que muitos pensam ao atribuir a esses encontros muita droga e actos de vandalismo, não, não é assim, há pessoas de todas as classes sociais que buscam se divertir nesse mundo dos motards.

Passei a morar praticamente no centro da cidade mais

essa proximidade não mim proibia de andar de motos todos os dias. Acabei por comprar uma das motos consideradas na altura como a mais potente moto de serie já construída, era uma Kawasaki Ninja zx12r, um verdadeiro míssil que ultrapassava os 300km/h com uma facilidade enorme.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Concentração Motard de Faro. A vida de um imigrante na Europa.

Passei a fazer muitos amigos em Coimbra principalmente um casal de artesãos que já trabalhavam a muitos anos no centro de Coimbra. O Rapaz era egípcio chamava-se Mamede, lembra dos problemas que tive com os árabes anteriormente, essas lembranças negativas mim levou durante algum tempo a evitar manter relação com os egípcio, foi uma experiência muito negativa que aqueles árabes tinha plantado em mim, desenvolvendo um certo preconceito com as pessoas oriundas desses países.

Mais felizmente esse egípcio não tinha nada a ver com aqueles árabes da rua de Cascais, era uma pessoa extremamente amiga e capaz de correr o risco de se prejudicar com o intuito de ajudar uma pessoa. Foi uma relação de amizade que foi se construindo aos poucos. A mulher dele era a Dores, uma pessoa muito prestativo e sensível e também disponível para ajudar as pessoas, isso era uma característica típica da família a qual tinha uma filha chamada Soraya da qual criamos um laço de amizade muito forte, estava sempre disponível para mim ajudar nas minhas invenções e projectos malucos que criava para ganhar dinheiro.

Trabalhávamos todos na rua principal de Coimbra a Ferreira Borges. O Mamede era uma pessoa muito aventureira, tinha imigrado para Portugal e na altura que chegou começou a trabalhar na venda de artesanatos vindo depois a comprar uma carrinha e sair participando de feiras por várias cidades portuguesas e também fora do país acompanhado sempre das Dores.

Levava uma vida de trabalho e aventuras assim como eu, com a diferença que constituiu família e se acomodou em Coimbra montando todos os dias a sua banca que se localizava exactamente a frente da sua casa. Todos tínhamos um trabalho tranquilo e divertido, isso é, se podemos chamar isso de trabalho porque para mim sempre foi uma diversão, há pessoas que gostam de feriados e fim de semanas para poder descansar e se divertir um pouco, comigo era ao contrário eu descansava e mim divertia todos os dias, portanto para mim não fazia diferença se era fim de semana, feriado ou qualquer coisa que fosse.

Marrocos. A história de um imigrante.

Marrocos. A história de um imigrante.

Marrocos

Como vocês já mim conhecem sabe da minha atracão para viagens e aventuras e conhecer o Mamede foi como juntar a fome e a necessidade de comer.

Um dia estávamos conversando quando no meio da conversa entrou Marrocos, ele dizia que era um excelente local para comprar artesanato para vender, que os preços lá eram muito baratos. Embora não fosse o meu objectivo comprar artesanato mais era conhecer Marrocos e mim divertir mais um pouco e ele também, portanto perguntei a ele porque não apanhávamos a estrada em direcção a Marrocos. O Mamede não levava muito tempo a decidir alguma coisa e de imediato disse, boa ideia, quando saímos?

 

Marcamos a viagem para um dia da semana que era exactamente 1º de Abril, portanto quando falávamos que íamos para Marrocos nesse dia os amigos achavam que era uma brincadeira, que não íamos a lado nenhum.

Mais na verdade quando foi o dia 1 de Abril nos encontramos todos na rua Ferreira borges para por as bagagens no carro e seguirmos viaje. Como as mulheres são meio enroladas no sentido de estarem prontas para sair, eu achava que iríamos ter que esperar pela Soraya já que era de praxe demorar sempre para estar pronta, uma característica típica das mulheres, mais afinal não, estávamos todos prontos quando de repente mim dei conta de que não estava com o meu passaporte e para entrar em Marrocos era necessário, resultado eu é que acabei atrasando toda a viagem.

Corri até em casa em busca do passaporte não conseguia encontrar, revirei tudo e estava começando a ficar passado com a situação, finalmente o Mamede teve a feliz ideia de irmos a garagem para ver se por acaso eu não havia deixado por lá, e foi o que fizemos. Chegando a garagem começamos a vasculha-la e finalmente lá estava o passaport e de imediato nos enfiamos no carro e Marrocos ai vamos nós!

Decidimos ir com a carrinha do Mamede que era mais espaçosa e não tinha na bagageira ocupada pelo o enorme tanque de gás que era caso da minha. Partimos em direcção ao Algarve, Faro onde pretendíamos parar para almoçar antes de seguirmos viagem. Até Faro iríamos cumprir cerca de 500 quilometro. Do Algarve a Marrocos seria bem mais próximo, chegando em Tarifa na Espanha só bastava apanharmos o barco para atravessar o estreito de Gibraltar.

Ao chegarmos a Tarifa já não havia barcos para Ceuta, que é um conclave pertencente a Espanha que já se encontra em África e faz fronteira com Marrocos. Sendo assim teríamos que ir para Algeciras que ficava mais um pouco a norte na qual fomos informados que seria mais fácil e prático apanharmos o Ferry boat nessa cidade.

Espanha. Algecira. A vida de um imigrante brasileiro na Europa.

Espanha. Algecira. A vida de um imigrante brasileiro na Europa.

Ao chegarmos em Algecira já não havia barcos para Ceuta nesse dia portanto teríamos que nos instalar em uma pensão local para no outro dia embarcarmos para Ceuta.

Nos estalamos em uma pensão que fica próximo ao porto onde deveríamos embarcar, só não tínhamos dado conta direito do nível da pensão que havia nos instalados, embora parecesse uma pensão familiar, limpa e bem organizada, mais pelo visto era a pensão das prostitutas locais, porque durante a noite tentávamos dormir com os típicos sons criados pelas profissionais no exercer de suas funções, aquilo era sacanagem a noite toda e riamos muito com toda aquela maluquice.

No outro dia nos dirigimos para o porto e apanhamos o ferry para Ceuta. Foi uma travessia meio esquisita, eu já estava mais ou menos habituado a andar de ferry boats no Brasil, porque costumava sempre ir a uma ilha paradisíaca chamada Itaparica, próximo a Salvador passar os fins de semanas só que o mar não era assim tão agitado, ao contrário do estreito de Gibraltar encontro entre o oceano atlântico e o mediterrâneo era um verdadeiro inferno nesse dia e o ferry agitava muito causando varias situações de enjoos e vómitos em muita gente, não cheguei a esse ponto mail confesso que o meu estômago parecia dar voltas na barriga. Bem mais finalmente chegamos a Ceuta.

Uma cidade comum pertencente a Espanha em que não se via muitos sinais da cultura Marroquina que se encontrava tão próximo. Há um controle fortíssimo para a entrada dos marroquinos na Europa, e Ceuta era o ponto principal passando assim por um forte controlo alfandegário.

Ceuta.

Depois de descermos em Ceuta seguimos em direcção a fronteira com Marrocos. Quando lá chegamos a sensação que tínhamos era que havia um click imediato de cultura económica europeia para 3º mundo, mais era de forma mesmo marcante. Enquanto estávamos na fronteira observava há um 200 metros a frente o movimento de pessoas subindo e descendo uma montanha carregando sacos nas costas, puxando animais, burros, cabras era uma visão mesmo de feira em um país subdesenvolvido.

Essas pessoas costumavam ir para a fronteira para procurar trabalhar na venda de artigos e alimentos para os turistas. Era curioso no meio daquela montanha o contraste que criava daquelas pessoas com aquelas roupas grande e coloridas se locomovendo por uma área que aparentemente não havia nada a não ser deserto, e desapareciam naquele areal como se vivessem debaixo da areia. Uma cultura curiosíssima, costumes e hábitos completamente diferentes do europeu e no entanto tão próximo.

 

Já para conseguir o visto na fronteira foi bastante complicado, eles aparecem com uma serie de actos burocráticos que só se resume em sacar o máximo de dinheiro possível do visitante, sem contar com os despachantes a procura de fazer o mesmo. Por fim conseguimos entrar e começamos a viagem pelo interior de Marrocos, as estradas eram simplesmente terríveis, se é possível chamar aquilo de estradas, o terreno em grande parte era de terra batida e aqueles que não eram, era preferível que fosse assim não teríamos tantas surpresas com as crateras que apareciam de repente.

Conduzir todo o tempo dentro de Marrocos, haviam locais em que se errássemos a estrada encontrávamos a nossa espera um despenhadeiro e portanto não confiava deixar o Mamede conduzir o carro com receio que ele se distraísse por algum momento e assim ele poderia ficar a vontade para tentar descobrir através do mapa a nossa localização, coisa que não era fácil já que parecia que o mapa que tínhamos era de outro país era impossível se orientar com ele pelo facto de não haver sinalização praticamente nenhuma e as que apareciam pareciam ter sido da época dos dinossauros, indecifráveis.

Enquanto andávamos perdidos pelas aquelas montanhas no interior de Marrocos podíamos admirar a beleza natural daquele país, a paisagem era simplesmente magnifica, as montanhas que surgiam uma longa distancia possuíam cores variadas era impressionante, desde ao castanho ao amarelo, violeta era um verdadeiro capricho da natureza que com o seu pincel natural brincava com aquela paisagem criando tons e efeitos visuais simplesmente fantásticos. O interior de Marrocos vale apenas se perder por lá, pelo menos por alguns instantes nos sentimos em sintonia com a natureza.

Escolhemos um trajecto muito complicado em direcção a Fes que era o nosso objectivo inicial. Fes ou Fez é a 3ºmaior cidade de Marrocos depois de Casa blanca e Rabat. É composto por três partes distintas, Fes el Bali (a murada, a cidade velha), Fes-Jdid (Fes nova casa do Mellah ) e Nouvelle Ville (os franceses criaram o mais novo ponto de Fes). Na altura estava passando uma novela brasileira em Portugal em que foi filmada nessa cidade portanto estávamos curiosos para visita-la já que na novela mostravam cenas muitos bonitas da cidade e muito pitorescas.

Estava já dirigindo a horas no meio de montanhas e areais que parecia não ir a lugar nenhum, estava com uma fome enorme, não via a hora de encontrar um restaurante e devorar tudo que tivessem, mais naquele local parecia não haver nada. Recordo-me de alguns ditos restaurantes que passamos logo quando entramos em Marrocos depois que passamos por Tetouan, aquilo podia se chamar de tudo, menos restaurantes. Ao passar eu olhava para o interior dos ditos restaurantes fazendo um rápido rastreio do interior para conhecer um pouco da decoração e produtos oferecido e o que conseguia ver na maioria das vezes eram balcões e prateleiras completamente vazios sendo decorado com meia dúzia de garrafas de coca cola solitárias no meio do nada, não entendia bem o que e como eles faziam negócios quando não havia nada a oferecer.

Depois de umas boas horas naquele fim de mundo finalmente detecto há alguns metros um restaurante perdido no meu do nada e pensei comigo, custe o que custar o almoço estou disposto a pagar, com a fome que eu estava o preço já não me preocupava nem um pouco precisava era comer imediatamente. Tenho uma característica que quem me conhece sabe, quando estou com fome fico simplesmente insuportável enquanto não sacia-la fico mesmo chato. Portanto aquela visão de um restaurante no meio daquele deserto era simplesmente um alivio.

Ao chegarmos ao restaurante o interior era como o descrito anteriormente, não havia nada lá dentro, o típico cheiro de comida que é comum em ambientes como esse era simplesmente inexistente. O que tínhamos eram 4 marroquinos que nos olhavam e carregavam nos olhos a ideia de que iriam procurar ganhar o dia com aqueles turistas perdidos naquela área e portanto eu já estava preparado para ser explorado ao máximo mais como disse antes não estava muito preocupado com isso, só queria era comer o mais rápido possível antes que tivesse um pirepaque.

Perguntamos o que havia para comer, ou melhor, o Mamede que falava árabe perguntou e pelo que entendi era alguma coisa que levava carne e como era comestível acredito eu, podia descer de imediato. Descer de imediato é que não era possível, pelo que pude perceber, depois de efectuarmos o pedido um dos rapazes saiu e foi a procura de um talho ou coisa parecida para comprar a carne, no restaurante não havia nada, como disse antes, só havia espaço.

Antes resolvemos evidentemente tomar conhecimento do preço do almoço, eu estava certo depois de presenciar os marroquinos olharem um para o outro que iriam explorar ao máximo tirando proveito do fato de sermos turistas perdidos naquele fim de mundo.

Após alguns segundos de silencio e falarem uma língua bem esquisita entre eles, disseram-nos o preço. Eu com a fome que estava seria capaz de pagar até 30 euros por o almoço mesmo sabendo que era um valor absurdo para um pais como Marrocos, um valor extremamente alto, mais era capaz de permitir esse roubo para poder matar a fome.

Quando nos disse o preço, com o roubo incluído, o valor era 5 euros, ou seja uma micharia que acreditavam eles que era o bastante. De imediato disse para trazer o almoço que o preço estava em conta. A Partir desse momento cheguei a conclusão que iríamos ter umas boas ferias em Marrocos gastando bem pouco dinheiro.

Finalmente o rapaz chegou do talho e prepararam o almoço que por sinal estava fantástico, um sabor formidável, sem levar em conta o nível de higiene daquele lugar onde agua parecia ser coisa rara, mais o melhor era não pensar muito nisso.

Depois do almoço pagamos a conta o Mamede resolveu comprar um maço de cigarro deixando o rapaz meio insatisfeito pelo fato do Mamede querer o maço inteiro e eles ganhavam dinheiro só vendendo os cigarros a unidade e não era comum naquela área comprarem o maço inteiro, mais depois demos uma boa gorjeta e eles ficaram felizes da vida.

Apanhamos de novo a estrada, ou melhor, o que parecia ser uma estrada e seguimos viagem. Finalmente chegamos a Fes, uma cidade muito bonita, dentro do conceito árabe evidentemente, havia muita pobreza mais também muitos turistas e uma cultura interessante e cheias de curiosidades.

Ao chegarmos a cidade procuramos encontrar o local onde se concentrava as lojas e as famosas Medinas mais ficamos totalmente perdidos em um bairro que mais parecia um labirinto, andamos um bom tempo pela aquelas ruas estreitas e praticamente todas iguais e nunca chegávamos a lado nenhum. Finalmente encontramos uns rapazes conversando e perguntamos como poderíamos ir até a zona das lojas e Medinas. O rapaz se prontificou de imediato a nos levar até as Medinas ficando eu o tempo todo em estado de alerta derivado a fama negativa que é atribuída aos Marroquinos no ocidente fama essa que se desfez por completo passado algum tempo, principalmente depois de chegarmos as Medinas.

O rapaz nos acompanhou todo o tempo servindo-se de guia turístico e sabíamos que depois teríamos que compensa-lo com algum dinheiro mais com a experiência do restaurante sabíamos que não seria muito.

Estivemos em uma loja para comprar algumas bijuterias para vender em Coimbra, o mais curioso é que o rapaz que se encontrava na loja pediu licença e saiu para e buscar menta para fazer chá para nós, um habito comum por parte deles pelo que concluir depois, e nos deixou completamente sozinhos dentro da loja dando-nos total confiança.

Conclui que o preconceito e a desconfiança por parte dos europeus a essa gente seja totalmente injustificável e que é muito mais provável haver roubos na Europa do que em Marrocos mesmo porque o resultado de um acto dessa natureza nesse país possa levar ao infeliz assaltante ter as mão amputadas como forma de punição.

Depois de terminarmos as compras lá estava eu de novo com uma fome enorme e só queria encontrar um outro restaurante. Mais naquela Medina era impossível imaginar almoçar por ali derivado ao mau cheiro constante das peles que eram transportadas pelos burros por entre aquelas estreitas Medinas, e tínhamos que está constantemente em alerta pelo facto de que quando passavam eram rápidos e não estavam muito preocupados com as pessoas que lá se encontravam portanto tínhamos que ter cuidado para não ser atropelado por um burro transportando peles recéns tiradas dos animais, peles essas que eram utilizadas para fazer os famosos casacos marroquinos e a área em que era efectuada a curtição da pele se encontrava justamente no centro das medinas portanto aquela área tinha um cheiro mesmo desagradável mais com o passar do tempo o nosso olfato acaba por se habituar e já não damos conta.

Procuramos deixar as medinas para procurar um restaurante, no caminho vi o que chamamos no Brasil de televisão de cachorro que é aquelas maquinas que assam frangos que ficam rodando dentro de uma caixa em que a porta é de vidro possibilitando ver os frangos sendo preparados. Fiquei morrendo de vontade de devorar um franguito daqueles inteiro mais o cheiro das peles eram muito forte e dona dores não estava disposta a comer ali, sinceramente com a fome que eu estava comia ali mesmo.

Encontramos um restaurante em condições fora das medinas e eu a primeira coisa que pedi foi uma boa garrafa de vinho para acompanhar o almoço, eu estava com uma saudade enorme de um bom vinho e pensei que conseguiria naquele restaurante pelo fato de ser turístico.

Impossível disse o garçom, álcool em Marrocos é proibido por ir contra as leis islâmicas ou seja contra o Alcorão o livro sagrado dos muçulmanos, ou seja, tô frito! O único jeito foi me contentar com uma coca cola.

No outro dia fomos para Rabat a capital de Marrocos.

Como em outras capitais no mundo, o povo é menos receptivo e atencioso, menos simpático, mais apressado, impessoal. Todas as cidades marroquinas têm sua cor própria nas construções, que a personaliza e identifica: Marrakech é a cidade vermelha, Meknés é verde; Fez é amarela. Rabat, a cidade branca do litoral do Oceano Atlântico

Em Rabat os principais pontos turísticos são a Torre Hassan, o Palácio Real, a Mesquita Real, o Chellah, o Portão de Oudaïa, a Kasbah des Oudaïas, o Mausoléu de Mohamed V e a Medina.

Rabat. A vida de um imigrante.

Rabat. A vida de um imigrante.

Uma das partes mais memoráveis de Chellah é o seu portão, com 800 anos, de arquitetura merenida.

Tivemos uma passagem muito rápida por Rabat. Uma situação que mim impressionou foi com relação a mulher marroquina ou muçulmana. Embora a religião seja extremamente fundamentalista com relação as mulheres proibindo-as de muitos comportamentos tão comuns no ocidente relativo a sua liberdade em relação com os homens, as marroquinas demonstraram serem bem mais receptivas e abertas que as portuguesas no que se refere aos homens mesmo tendo por trás de si a religião e todas as suas tradições. Mesmo utilizando os famosos véus quando cruzava com elas nas ruas simplesmente olhavam nos olhos como se estivessem mergulhando em nosso cérebro demonstrando uma total a vontade para nos aproximarmos e isso mim deixou muito curioso e que vontade de ficar mais tempo em Marrocos.

Me recordo de estarmos em uma praça do centro da cidade e haver um típico vendedor de algo que não percebi de imediato. Consistia em um homem trajando uma indumentaria típica, com muita decoração e apetrechos. Veio em minha direção e resolvi participar. Ele me deu um copo e colocou algo lá para dentro, era um liquido amarelo com um sabor esquisito que depois de bebe-lo perguntei do que se tratava. Pensei que se tratava de um chá típico da região, como é muito comum estarem constantemente bebendo chá dai veio o meu raciocínio.

Fiquei surpreso e ligeiramente assustado quando ele me disse do que se tratava. Era agua! Com aquela cor e aquele gosto esquisito fiquei imaginando onde ele teria ido buscar aquilo que chamava de agua. A partir desse momento aprendi que agua em Marrocos só em garrafa e de preferência importada.

Deixamos Rabat ainda com um enorme vontade de irmos para Casa Blanca e Marraquech mais já estávamos a uma semana fora e achamos que era momento de retorna. Deixaríamos Casa Blanca e Marraquech para a próxima viagem que tudo indicaria que seria em breve.

rabat

Chegamos a Coimbra, foi uma viagem tranquila embora chegamos um pouco cansados mais era natural depois de tantas horas de viagem.

 

Fico por aqui, quem sabe volto a escrever os próximos capítulos que espero que sejam formidáveis. Agradeço a atenção de vocês e peço que visitem o meu site www.anildo-motta.com e contribuam com a divulgação do site e dessa historia, ok. Um abraço e até a próxima!

 

Anildo Motta

Fim